SAÚDE Curitiba já é 3ª em doenças cardíacas Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia relaciona o processo de industrialização com problemas de saúde DivulgaçãoNORTE PIONEIROO cardiologista Jorge Garrido é de Santo Antônio da Platina Mireilli Baroni De Santo Antônio da Platina Especial para a Folha O presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia, Jorge Garrido, de Santo Antônio da Platina, disse que a capital paranaense é a terceira cidade do país com o maior índice de pessoas com complicações cardiocirculatórias. Em proporção, perde para as cidades de São Paulo e Brasília, primeiro e segundo lugar, respectivamente. ‘‘Isso se deve à mudança no perfil do próprio curitibano. A cidade está passando por um processo muito rápido de industrialização, maior competição pelo mercado de trabalho e consequentemente existe a insegurança causada pelo excesso de violência, tudo relacionado ao avanço e ao crescimento da cidade’’, disse Garrido. Apesar dos avanços tecnológicos que a medicina e particularmente a cardiologia vem alcançando, hoje morre-se mais do coração devido ao aumento das preocupações diárias, à maior competitividade do mercado de trabalho, gerando um estresse cada vez maior e também devido às mudanças no estilo de vida. ‘‘Enquanto nossos pais e avós queimavam suas calorias no trabalho, quase sempre braçal, o homem de nossos dias, com raras exceções, não faz exercícios e passa seus momentos de lazer em frente à televisão, com controle remoto, para não precisar nem mesmo levantar-se do sofá, quando vai mudar o canal’’, disse o cardiologista. ‘‘O brasileiro compete por tudo, pelo trabalho, pelo dinheiro, por uma posição social, por mais espaço, enfim, pela vida. A incidência de problemas cardiocirculatórios em mulheres, também aumentou consideravelmente, creio que justamente por cauda dessa competição, pela luta de espaço, principalmente no mercado de trabalho’’, disse. Segundo o médico, até algum tempo atrás, os ataques cardíacos e as doenças do aparelho cardiocirculatório afetavam muito mais os homens que as mulheres, pois os hormônios femininos e o papel desempenhado pelas mulheres na sociedade de então garantiam-lhes esta proteção maior. Porém, nos últimos anos, o número de mulheres vítimas de problemas cardíacos aumentou proporcionalmente mais do que o dos homens. Os problemas cardíacos, há alguns anos, eram mais frequentes em homens entre 40 e 60 anos, talvez até por excesso de trabalho e esforços físicos e poupava mulheres em idade fértil, só passando a atacá-las após a menopausa. Hoje esse quadro mudou. A maior ocorrência de cardiopatias é em homens com idade inferior a 40 anos e relacionadas com o excesso do fumo, hipertensão arterial, colesterol alto, diabetes, obesidade, vida sedentária e em mulheres, principalmente ao uso do anticoncepcional associado ao tabagismo. ‘‘A combinação do fumo e da pílula anticoncepcional é uma bomba que pode explodir a qualquer momento’’, alerta o presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia. ‘‘Esse aumento das preocupações e do estresse tem precipitado os ataques do coração e as doenças relacionadas’’, comentou. Garrido informa que, nas cidades menores, onde o nível de estresse também é menor, o infarto ocorre menos, mas há outros grandes problemas. ‘‘Aqui no Norte Pioneiro pagamos o ônus de ser uma região endêmica da doença de Chagas, onde o índice de pessoas contaminadas é muito alto, levando a complicações como insuficiência cardíaca de difícil controle e morte súbita, isso em decorrência das graves arritmias cardíacas que podem manifestar-se nestes doentes’’. Hoje, a doença de Chagas está praticamente restrita a pessoas acima de 40 anos, isso em decorrência da melhoria da qualidade dos bancos de sangue e da quase eliminação do transmissor (trypanossoma cruzi). ‘‘O diagnóstico do mal de Chagas é dado através de um exame de sangue e os sintomas nem sempre são os mesmos’’, esclareceu Garrido. A doença pode manifestar-se no coração, levando em fases mais adiantadas, ao aparecimento de edema (inchaço), falta de ar ou cansaço fácil, palpitações, tonturas, desmaios, bloqueios cardíacos facilmente detectados por um simples eletrocardiograma ou apresentar manifestações para o lado digestivo, como dificuldade para engolir alimentos sólidos (disfagia) ou impedindo o adequado funcionamento intestinal.