Curitiba inicia testes com novo combustível
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quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Fhabyo Matesick 
Especial para a Folha
Kraw PenasProtocolo assinado no Palácio Iguaçu prevê teste de 90 dias em 20 ônibusNós vamos usar a soja para colher passageiros. Com essa declaração o governador Jaime Lerner definiu o interesse do Paraná no teste de um combustível alternativo que já vem sendo testado nos Estados Unidos e na Europa, o Biodiesel, produzido através da mistura do óleo de soja esterificado e com o diesel. Protocolo de intenções assinado ontem pela manhã no Palácio Iguaçu oficializou o teste de 90 dias do Biodiesel em 20 ônibus da Região Metropolitana de Curitiba, incluindo cinco Ligeirinhos que fazem a linha Colombo-CIC.
Para o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, o mais importante é a oportunidade de testar em ônibus da cidade uma alternativa de combustível que valoriza o potencial agrícola do Paraná e contribui para a redução da emissão de poluentes. Este teste é importante para a avalização de custos e benefícios do Biodiesel, já que não é necessária nenhuma adaptação da frota para utilizar o novo combustível, disse.
Segundo Júlio Xavier Vianna, diretor da Viação Santo Antonio, empresa que vai testar o biodiesel, a utilização do combustível alternativo implica a redução de 40% na emissão de poluentes e os veículos apresentam a mesma potência e consumo. Junto com os testes, a URBS e o Tecpar estarão fazendo a medição de poluição e a empresa fará a análise de desempenho da frota, acrescenta Júlio.
O biodiesel mistura o éster de óleo de soja com o diesel. Em Curitiba o combustível será testado com 20% de óleo de soja e 80% de óleo diesel - mesma mistura utilizados nos Estados Unidos. Nos 90 dias de teste serão utilizados 37 mil litros de óleo de soja e 187,5 mil litro de óleo diesel. Os ônibus devem rodar cerca de 450 mil quilômetros com o combustível alternativo.
O biodiesel é 1,8% mais caro que o combustível comum, mas, segundo o presidente da Urbs, Fric Kerin, esse valor não será repassado à tarifa. A utilização do biosiesel em toda frota da Região Metropolitana implica o consumo de 1,4% da produção de óleo de soja do Paraná, que é de 12,5 milhões de litros/ano.
Para o governador Jaime Lerner, o que importa é que os testes estão sendo feitos sem custo para as empresas, já que os ônibus não necessitam de adaptação. O Paraná é um dos maiores produtores de soja do Brasil e a aceitação deste combustível pode implicar num incentivo à produção e ao plantio no Paraná. O biodiesel já foi testado tecnicamente e pode se transformar em um importante componente energético renovável e uma alternativa para a preservação do meio ambiente urbano, disse. A solenidade de assinatura do protocolo para tesrar o novo combustível contou com a presença do prefeito de Curitiba, Cássio Tanigushi; do presidente do Comitê de Marketing Internacional da United Soybean Board, Douglas Magnus; do Secretário Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alexandre Beltrão, e de representantes das demais entidades envolvidas no projeto.


