Curitiba gasta R$ 30 milhões para recolher seu lixo
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
Guilherme Vieira 
Jonas de OliveiraÚnicoAterro Sanitário da Cachimba, em Araucária, único da Região Metropolitana, já teve 50% de sua capacidade utilizadaA cidade de Curitiba produziu cerca de 376 mil toneladas de lixo no ano de 1997, o suficiente para encher 37.600 caminhões coletores de lixo urbano, que colocados em fila atingiriam 319,6 quilômetros, distância superior a que separa a capital do Paraná da cidade de Florianópolis, em Santa Catarina.
O trabalho de remoção de detritos e conservação e limpeza do município custou R$ 30,27 milhões, o equivalente a 4,36% do orçamento de Curitiba em 1997. Para ter uma idéia do montante de dinheiro envolvido nesse trabalho, o mesmo valor seria suficiente para administrar por três anos e meio o município litorâneo de Pontal do Paraná.
Essa quantidade astronômica de lixo, que hoje aumenta cerca de 7,55% ao ano, somada à taxa de crescimento populacional da Região Metropolitana de Curitiba de 3,4% ao ano (a mais alta do País) preocupa os ecologistas e faz prosperar a indústria do lixo. Esse segmento da economia é formado por grandes empresas que coletam os resíduos e executam a limpeza urbana, faturando alto através da terceirização desses serviços.
Segundo o gerente-geral de Transresíduos, Marco Antônio de Paula Lima, a empresa mantém 350 funcionários fixos, e chega a contar com 900 trabalhadores nos períodos de pico, durante as férias de verão. Lima diz que a especialização nesse segmento trouxe um faturamento de US$ 10 milhões em 1997, através do trabalho com 12 prefeituras e governo do Estado.
Uma outra face da indústria do lixo é formada por pessoas geralmente atingidas pelo desemprego, que vão buscar o seu sustento nos rejeitos da sociedade. Essas pessoas, junto com a participação da comunidade, garantem o sucesso dos programas de reciclagem que começaram a ser implantados em 1989 no Paraná (como o Lixo que não é Lixo, da Prefeitura de Curitiba), ampliando, através da separação do que pode ser reaproveitado (plásticos, vidros e papel), a vida útil do Aterro da Cachimba, em Araucária, único aterro sanitário da Região Metropolitana.
Segundo Nelson Xavier Paes, diretor de Limpeza Pública da Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba, o índice de separação do lixo doméstico está em 18%. Estamos trabalhando para chegar a 50%, que seria o ideal, afirma.
Segundo Paes, o Aterro da Cachimba está com 50% de sua capacidade de armazenamento utilizada e tem vida útil de mais cinco anos. Desde sua construção, o aterro já recebeu mais de 3 milhões de toneladas de lixo, o que motivou o início das obras de ampliação, que vão duplicar a capacidade do aterro.
A Superintendência dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) está realizando um projeto para modificar o perfil da destinação do lixo no Paraná. Atualmente 100 municípios paranaenses têm estudos para a construção de aterros sanitários, que devem consumir R$ 18 milhões. Entre eles está uma unidade para recepção de resíduos próxima ao município de Rio Branco do Sul, que vai atender a Região Metropolitana de Curitiba, e outros dois no Litoral do Paraná.


