Curitiba faz Parada Gay
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domingo, 12 de junho de 2005
Ellen Taborda<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Aproximadamente 80 mil pessoas participaram ontem da 7 Parada da Diversidade de Curitiba. Dez trios elétricos animaram os participantes, que fizeram uma marcha desde a Praça Santos Andrade até a Boca Maldita, no centro de Curitiba.
A festa, que reuniu manifestantes do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, terminou, na noite de ontem, com um show de Elke Maravilha e da banda curitibana Denorex 80. O secretário da Identidade e Diversidade do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, também esteve presente. Segundo o presidente do Grupo Dignidade, Tony Reis, a participação popular superou todas as expectativas.
A primeira Parada Gay em Curitiba foi em 1995, reunindo 300 pessoas. ''Curitiba foi se abrindo para o movimento e, a cada ano, as paradas foram recebendo mais e mais gente'', avalia Tony Reis. Ele estima que cerca de 47% dos participantes sejam heterossexuais simpatizantes da causa homossexual. Ele conta que o principal objetivo das paradas é o de chamar a atenção para as diversidades. ''Temos que mostrar que somos cidadãos e possuímos os mesmos direitos''.
Para o membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dálio Zippin Filho, as paradas são importantes no reconhecimento da igualdade. ''É preciso acabar com a homofobia e agilizar a aprovação da união civil entre homossexuais''.
O advogado conta que há cerca de três a quatro denúncias de preconceito e discriminação contra homossexuais registrados na comissão a cada mês. Ele cita casos como de mães lésbicas que perdem o pátrio poder sobre os filhos e dos presídios que não permitem visitas íntimas para homossexuais, apesar da resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. ''Aqui no Paraná, por exemplo, a resolução não é cumprida. Já houve caso de um diretor de penitenciária me dizer que 'viadagem' não tem vez na unidade dele'', conta.
Para a drag queen Djuly Anderson, 49 anos, que já participou de três paradas, a manifestação é ''um espaço para que as pessoas vejam o que é um gay e um travesti e deixarem de relaciona-los com a criminalidade''. Ele faz shows há 20 anos. ''Já sou uma veterana'', conta.
Vanessa Oliver, 19 anos, é drag queen há quatro meses. Quando não está fantasiado, é Diego, atendente do serviço ao consumidor de uma transportadora. ''Eu tenho essa capacidade de ser duas pessoas ao mesmo tempo, mas não confundo os dois lados''.
Já o catador de papel Jairton Jordão Silveira, 36 anos, conta que deixou de se travestir há 20 anos, quando descobriu ser portador do vírus HIV. ''Eu já foi mais bonita do que elas'', diz apontando as drag queens. ''Sempre venho ver essa festa, que é muito bonita''.


