Curitiba faz campanha para receber impostos atrasados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de julho de 2001
Carmem Murara<BR>De Curitiba 
A Prefeitura de Curitiba inicia hoje uma campanha para cobrar tributos atrasados dos 300 maiores devedores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto Sobre Serviços (ISS). O trabalho será feito pelos 60 procuradores que atuam na Procuradoria-Geral do Município. A meta é tentar recuperar o máximo possível dos R$ 180 milhões relativos aos principais inadimplentes. Hoje a dívida ativa é de R$ 400 milhões.
Todas as empresas e pessoas físicas que têm débitos já estão sendo processadas na Justiça pelo município. A maior dívida é de R$ 6 milhões, enquanto a menor, a ser cobrada nesta etapa, está em torno de R$ 200 mil. Os nomes são protegidos pelo sigilo fiscal.
Com o mutirão, a prefeitura quer que os procuradores intensifiquem os procedimentos judiciais para forçar a quitação. O procurador fiscal do município Paulo Fortes disse ontem que será feita uma operação de guerra contra os devedores. Desta vez vamos requerer leilões dos bens e até prisão dos responsáveis, ameaçou.
O cerco aos novos devedores também se fecha. Em agosto serão feitas mais 30 mil execuções. A Procuradoria-Geral havia dado trégua no primeiro semestre devido ao Programa de Recuperação Fiscal (Refic), onde os inadimplentes poderiam quitar os débitos em dez parcelas. Mas o programa não sensibilizou as pessoas. Somente 20% aderiram, até o prazo final em 30 de abril. Se criou uma mentalidade de que sempre haverá anistia tributária, mas isso não é possível, disse Fortes.
O IPTU e o ISS são os dois principais impostos da prefeitura. Hoje a inadimplência é de 20%. Muitos contribuintes questionam a forma como são obrigados a recolher tributos. O escritório de advogacia Rocha e Rosa tem quase 350 ações contra a prefeitura. O advogado Rodrigo Rosa alega que é ilegal cobrar alíquotas diferenciadas no IPTU. Não é possível aplicar com progressividade fiscal um imposto, disse.
Quanto ao ISS, o advogado disse que a prefeitura cobra tanto das empresas instaladas no município, quanto das empresas com sede em outra cidade, mas que prestam serviço em Curitiba. A prefeitura aproveita as duas situações, afirmou Rosa.
Os casos correm na Justiça e dividem opinião até mesmo dos juízes. O procurador fiscal de Curitiba disse que há ganhos de causa tanto a favor do município quanto das empresas.


