O secretário municipal de Ação Social de Ponta Grossa, João Carlos Barbiero, acusa Curitiba de ‘exportar’ pessoas carentes para seu município. Além de receber mendigos de Corumbá (MS), caso denunciado pela imprensa nacional, Ponta Grossa estaria recebendo diariamente entre sete a nove migrantes de baixa renda, transferidos pela Fundação de Ação Social (FAS) da capital. Mas a presidente da FAS, Marina Taniguchi, diz que situação é inversa: Curitiba é que estaria recebendo moradores da cidade vizinha, mandando de volta apenas aqueles que comprovam morada naquele município.
Barbiero diz que a FAS não está fazendo triagem na hora de enviar pessoas para Ponta Grossa. Diariamente 25 novos migrantes chegam à cidade - 30% viriam de Curitiba. ‘‘Todos desorientados e abandonados, porque não possuem parentes ou outra referência na cidade’’, afirma. A presidente da FAS, Marina Taniguchi, nega.
Segundo ela, nos últimos três meses a prefeitura de Curitiba pagou passagem de volta para 37 moradores de Ponta Grossa. ‘‘Cada um dos migrantes que saem da cidade tem a vida verificada pela Casa da Acolhida e Regresso, que só concede passagem após esta checagem’’, afirma. Ela acrescenta que desde novembro 148 migrantes teriam vindo de Ponta Grossa para Curitiba.
Barbiero, porém, diz que a ‘exportação de carentes’ vindos da capital acontece há mais de dois anos. Ele afirma que não vai mais admitir este tipo de atitude. ‘‘Não vamos mais aceitar que outras prefeituras lavem as mãos, mandando de um lado para o outro’’, avisa. ‘‘Vamos devolver os migrantes para as cidades de origem, mas sempre de forma consciente, depois de muita checagem’’, diz.
Marina Taniguchi afirma que Curitiba não freta ônibus para migrantes irem à cidade vizinha. ‘‘Gostaríamos que todas as cidades atendessem seus pobres, mas falta infra-estrutura para alguns municípios’’, avalia. Ela diz que Curitiba recebe um grande contingente de migrantes que buscam atendimento de saúde ou emprego. No ano passado, a cidade atendeu 130 mil pacientes nos postos de saúde. A maior parte viria da região metropolitana e dos muncipíos do interior, além de estados vizinhos.
Um exemplo é Adriana Alves dos Santos, 24 anos, que chegou anteontem em Curitiba, vinda de Marialva (interior do Paraná). Depois de vender tudo que tinha, comprou uma passagem para ela, seu marido Jacó, e os filhos Jaqueline, 7 anos, Tatiana, 6 anos, Diego, 4 anos, e Fernando, 3 anos. ‘‘O pastor Pedrinho Freitas, dono da nossa casa, disse que nos arranjaria emprego em Londrina’’, conta. Sem conseguir emprego em Londrina, foi mandada, com apoio da prefeitura local, para Curitiba. ‘‘Agora sem emprego, voltamos para Marialva, onde não temos mais nada’’.

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