Curitiba é a 4 metrópole em qualidade de vida
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quarta-feira, 14 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Curitiba tem a quarta melhor qualidade de vida do Brasil, se comparadas a todas as regiões metropolitanas. A cidade é apontada como uma das melhores para se viver segundo a análise de 12 quesitos como renda familiar, quantidade e tipos de alimentos consumidos, avaliação do serviço de água, coleta de lixo, fornecimento de energia elétrica, problemas com rua ou vizinhos barulhentos, poluição ambiental provocada pelo trânsito ou pela indústria, moradia da família, violência ou vandalismo.
Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que foi divulgada oficialmente ontem, em Curitiba. O levantamento foi feito por amostragem, em entrevistas realizadas em 48,5 mil domicílios brasileiros nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Além dos municípios de Goiânia e Brasília. Melhor posicionada do que Curitiba, aparecem Brasília, Goiânia e Porto Alegre.
O quadro de violência puxa o índice de Curitiba para baixo. Os moradores da RMC reclamam dos crimes e da falta de solução governamental para os problemas de segurança. As mulheres negras são as que têm maior percepção da realidade da violência, segundo a pesquisa.
''Quem mora nas regiões metropolitanas percebe 2,5 vezes mais a violência do que quem mora no restante do Brasil'', ponderou o coordenador da FGV Projetos, Fernando Naves Blumenschein. A RMC aparece em quinto no ranking das que têm maior violência. Apenas são piores do que Curitiba as regiões metropolitanas de Fortaleza, Recife, Belo Horizonte e Belém. Quanto maior a renda, menos os moradores da RMC têm percepção da violência.
''Com exceção da classe C e da avaliação da violência, Curitiba apresenta ótimos índices de condição de vida. Acima da média geral'', analisou Blumenschein.
Ele acredita que os dados mostrem exatamente os problemas enfrentados pelas populações das regiões metropolitanas e sirvam como parâmetros para a elaboração de políticas públicas. ''São dados profundos e que desmitificam as idéias que temos que o povo precisa de educação e saúde. Precisa sim. Mas cada faixa da população precisa de uma política específica para sua região, sua vila ou seu município. Estes dados são robustos e muitas vezes divergem do censo comum'', afirmou Blumenschein, que é também coordenador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE).
Se analisadas apenas as faixas de renda da população, a classe mais privilegiada em termos de qualidade de vida em Curitiba é a A, com rendimentos superiores a R$ 7,5 mil. A classe C, com rendimentos entre R$ 1,1 e R$ 1,8 mil, é a mais prejudicada.
Entre os participantes da reunião em que foi divulgado o ranking, estava o secretário de Assuntos Metropolitanos da Prefeitura de Curitiba, Rui Hara. Ele se mostrou impressionado com os índices de violência da RMC e prometeu analisar os dados para desenvolver políticas públicas que auxiliem a melhorar a qualidade de vida da região. ''Vamos digerir os dados apresentados, verificar nossas realidades e procurar minimizar os erros cometidos pelas administrações municipais. Temos que desenvolver ações para avançarmos socialmente'', ponderou.


