Curitiba discute ações de segurança
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Curitiba poderá dispor este ano de um orçamento de R$ 9 milhões para a área de segurança pública, sendo R$ 5 milhões da prefeitura e o restante proveniente do Programa Nacional de de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do governo federal. De acordo com o secretário municipal Antidrogas, Fernando Francischini, esse deverá ser "o maior orçamento do Brasil" para essa área entre os municípios.
As principais ações de combate à criminalidade serão centradas na prevenção ao uso de drogas, com a realização de palestras e ações educativas, e no serviço de inteligência. Para isso a prefeitura pretende assinar em breve um convênio com o Ministério da Justiça que possibilita o acesso ao banco de dados do Infoseg, sistema que concentra as informações da Polícia Federal.
Outra inovação nesse sentido é a "Rede Salomão", um programa de computador que permite cruzar os dados fornecidos por uma rede de líderes comunitários previamente cadastrados pelo poder municipal. Segundo Francischini, esse sistema vem complementar o serviço 181 de disque-denúncia do governo estadual, pelo qual qualquer pessoa pode denunciar uma ação criminosa.
As novas diretrizes para as ações de segurança pública na esfera municipal foram debatidas ontem na 1ª Conferência Municipal de Segurança Pública (Conseg), que reuniu membros do poder público, representantes dos profissionais da área de segurança (policiais civis, militares e guardas municipais) e da sociedade civil organizada.
O evento, que segue até hoje, tem como objetivo preparar um relatório que será enviado à 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, marcada para agosto em Brasília. Segundo o secretário municipal de Defesa Social, Itamar dos Santos, o principal objetivo da discussão é estabelecer uma política estratégica de segurança pública para o município. "Trata-se de um programa de Estado e não um programa de governo", disse.
Dentre os exemplos de projetos bem sucedidos nessa área ele cita o gabinete de gestão integrada municipal, implementado no ano passado e que reúne representantes do Ministério Público, Exército, Polícias militar, civil e federal e da Justiça Federal, e também a instalação de câmeras de segurança na zona central da cidade. Segundo ele, entre abril de 2008 e abril de 2009, as ocorrências nos bairros do Centro e Centro Cívico, que possuem esses equipamentos, caíram 64%.
Para o representante da Central de Movimentos Sociais, Joé Elton Ribeiro, que participou da conferência, mesmo com os avanços é crescente a sensação de insegurança entre a população. Para ele, enquanto o crime cai nas áreas monitoradas por câmeras, em outras regiões ele aumenta. Prova disso seriam as reclamações da comunidade durante as audiências públicas promovidas pela prefeitura. Assim também pensam outros representantes da sociedade civil, como o presidente do Conselho de Segurança XV de Novembro, Moutih Ibrahim. Para ele, faltam hoje políticas que resultem em resultados práticos. "No discurso é fantástico, mas de ação é zero", critica. Também o presidente do Conselho Comunitário de Segurança Bacacheri II, Paulo Negrão, duvida da eficácia de ações não levam em conta a realidade das comunidades mais carentes da cidade. "Eles não sabem o que acontece na favela", observa.


