Luciana Pombo
De Curitiba
Curitiba é uma cidade racista e que tenta deixar o negro invisível por causa da característica européia. A afirmação é da professora formada em ciências sociais e coordenadora do curso de extensão ‘‘Educação, Trabalho e Políticas Afirmativas’’, Marcilene Garcia de Souza. De acordo com ela, um quarto da população curitibana é negra ou parda e não existe qualquer política municipal de atenção aos negros. ‘‘Somos 23% da população da cidade e não temos qualquer atenção. Esta cidade não vê o negro como parte dela. Os meios de comunicação deixam o negro fora da cultura da cidade’’, denuncia.
Marcilene Garcia diz que, na realidade, a idéia que se passa nos livros escolares e nas instituições de ensino (universitárias ou não) é a de que não existem negros em Curitiba. ‘‘É uma afronta para os negros a forma como os livros escolares ensinam a história. Os personagens heróicos são sempre brancos. O ensino é feito todo para o branco’’, argumenta.
O negro também tem pouco acesso ao mercado de trabalho e ao ensino. A maioria das desistências escolares é de negros, que precisam se afastar dos estudos para ajudar na renda domiciliar. Estes são assuntos que estão sendo debatidos, desde ontem, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o objetivo de discutir políticas afirmativas para os negros, levando em conta a educação. ‘‘Temos que repensar os currículos escolares. Fazer com que a educação valorize mais as raças que vivem no Brasil’’, acrescenta Marcilene.
Hoje, às 8h30, no auditório da Reitoria, terá um debate sobre o trabalho e os desafios do negro frente a globalização. Às 18h30, uma mesa redonda discutirá o conceito de raça com os participantes. Amanhã, às 8h30, a coordenadora do Instituto Afro do Paraná, Lúcia Bertúlio, fará uma palestra mostrando um estudo comparativo entre o Brasil e os Estados Unidos; e às 18h30, encerrando o ciclo de debates, uma mesa redonda discutirá as estratégias de combate ao racismo.

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