Curitiba debate novo Plano Diretor
Da Sucursal
Albari RosaHorizonte perdidoVista parcial do Passeio Público, localizado na região central de Curitiba, onde despontam arranha-céus: lei de zoneamento precisa ser revistaDepois de tornar-se referência de planejamento urbano, Curitiba chega aos 304 anos de existência convivendo com problemas comuns às grandes cidades brasileiras e enfrentando o desafio de encontrar um novo modelo urbanístico para o terceiro milênio, que chega dentro de exatos mil dias. Ocupação desordenada, loteamentos irregulares, trânsito congestionado e outros problemas vêm colocando em cheque a qualidade de vida da cidade e suscitando discussões sobre a necessidade de um novo Plano Diretor para disciplinar o atual surto de crescimento da capital e da Região Metropolitana.
A polêmica chega à Câmara Municipal no mês que vem, durante um seminário programado para os dias 15 a 22 de maio, que reunirá urbanistas e autoridades para discutirem o Plano Diretor e o futuro do planejamento urbano de Curitiba.
O atual Plano Diretor foi implantado em 1966, quando a cidade tinha 490 mil habitantes. Junto com a lei de Zoneamento e Uso do Solo, ele definiu os parâmetros básicos para ocupação do espaço urbano e recebeu várias adaptações, mas não conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento da cidade.
Hoje, quase 1,5 milhão de habitantes de Curitiba disputam espaço numa área de 472 quilômetros quadrados. Com apenas 3,6% da área total dos 24 municípios da Região Metropolitana, Curitiba concentra 60% da população. Somente nos últimos cinco anos, mais de 420 mil pessoas se mudaram para a região, que registrou nesse período uma taxa de crescimento médio de 3,2% ao ano.
Para o vereador Jorge Samek (PT), que apresentou projeto na Câmara Municipal propondo a revisão do Plano Diretor e da Lei de Uso do Solo, os problemas revelam o esgotamento do modelo urbanístico que consagrou a capital paranaense nas últimas décadas. Curitiba perdeu a capacidade de planejar seu futuro, afirma.
O excessivo crescimento vertical e a saturação da área central da cidade são apontados como exemplos da falta de controle sobre o planejamento da cidade. Curitiba é hoje um paliteiro com a permissão de grandes edifícios em toda a cidade, diz Ivo Arzua, que era prefeito na época em que o plano original foi criado. As vias estruturais viraram verdadeiros paredões de concreto, afirma ele, dizendo que isso desumanizou a cidade. A construção de edifícios de até 28 andares em regiões como a do Passeio Público, onde o limite máximo é de dez andares, também é apontado como outro exemplo de desrespeito aos princípios do Plano Diretor.
A prefeitura garante que o plano foi respeitado e que mantém controle sobre o planejamento. O adensamento linear nas estruturais foi cumprido com o previsto, afirma o presidente do Ippuc, Osvaldo Navarro. Segundo ele, a construção de edifícios com altura acima da prevista, como no Passeio Público, foi permitida através de uma lei de compensações.





