Curitiba começa combate à dengue
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Esta semana começou com uma ordem: todos contra a dengue. Em Curitiba, a Secretaria Municipal da Saúde começou ontem o sexto Levantamento de Índice Rápido de Infestação (Lira) para a doença. A pesquisa, coordenada pelo Ministério da Saúde, é amostral e realizada em 169 cidades do País. A intenção é identificar focos do mosquito vetor Aedes aegypti. No Rio de Janeiro, o ministro da Saúde José Gomes Temporão lançou ontem pela manhã a Campanha Nacional de Combate à Dengue.
O objetivo do governo federal é alertar a população dos perigos da doença e mobilizar profissionais de saúde para a eliminação de focos do mosquito. O período chuvoso e o aumento das temperaturas prevalecem para a alta infestação. O governo do Estado também está em estado de alerta. Em agosto, foram reativados os comitês municipais que atuam contra a proliferação da doença, realizando uma série de ações, como a distribuição de material informativo para a população.
No Estado, a intenção é evitar uma epidemia de dengue como a de 2007. Neste ano, o Paraná notificou 15.717 casos (pessoas suspeitas de terem contraído a doença). Desses, 897 foram confirmados. Em 2007, no mesmo período do ano, o Estado já havia registrado 45.450 casos, quando 24.566 foram confirmados. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde.
"Os números baixaram, pois foi feito um trabalho de eliminação do vetor. Mesmo assim, uma nova epidemia não está descartada", alerta Márcia Gil Aldenucci, chefe da Divisão Estadual de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores. Segundo ela, em se tratando de dengue, qualquer descuido pode ter resultados negativos.
Márcia Saad, coordenadora municipal do Programa de Controle da Dengue, concorda. "Esta é uma época de alerta mesmo", diz ela, responsável por coordenar o Lira em Curitiba. Durante duas semanas, o programa vai levar às ruas da Capital 150 agentes da dengue treinados. Eles vão verificar a ocorrência de focos do inseto em 20 mil imóveis, entre residências, edifícios, estabelecimentos comerciais e de serviços.
Os primeiros bairros a receberem a visita dos agentes são Hauer, Xaxim e Boqueirão. A inspeção segue o mesmo padrão das visitas rotineiras, quando são examinados vasos de plantas, ralos externos e internos, jardins e quintais. A diferença é que o levantamento dos próximos dez dias dará, em um curto espaço de tempo, a exata noção de como o vetor se espalha pela cidade. Em outras épocas, as visitas são feitas em períodos de quatro em quatro meses.
Curitiba está longe da situação de outras regiões do Estado, como a Norte e a Sudoeste, onde o índice de casos é muito maior do que na Capital. "Até o momento, temos nos mantido sem transmissões", diz a coordenadora municipal do Programa de Controle da Dengue.
A cidade registrou neste ano 539 notificações de casos de dengue. Desse total, 27 foram confirmados. Em todos os casos, a contaminação ocorreu em lugares fora de Curitiba. Moradores da cidade foram contaminados em estados como Amazonas, Bahia, São Paulo, Rondônia, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro.


