Curitiba adota computadores na saúde
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de abril de 1997
Guilherme Pupo 
Da Sucursal
Marcelo AlmeidaTroca digitalSistema de Georreferenciamento Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde: programa substitui os mapas com alfinetes na parede por mapas digitaisO controle de algumas epidemias que atingem Curitiba já está sendo feito por computador. Com a tecnologia do geoprocessamento, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) está substituindo os mapas com alfinetes na parede por mapas digitais.
O sistema, denominado Georreferenciamento Epidemiológico, armazena a distribuição geográfica das doenças no computador. A implantação começou em março do ano passado. Hoje, a secretaria reúne dados sobre meningite, leptospirose, hepatite e tuberculose.
Uma das vantagens da informatização é a possibilidade de cruzar dados. Atualmente, a secretaria conta apenas com os mapas das ruas e bairros. Nos próximos meses, a idéia é acessar informações sobre rios, esgoto, água tratada e densidade demográfica.
A tecnologia pode mostrar, por exemplo, a relação entre córregos poluídos e o surgimento de epidemias como hepatite e leptospirose. Com isso, é possível avaliar as regiões mais precárias e priorizar as áreas de risco.
Outro benefício é a montagem de uma série histórica dos mapas. Antes, não tínhamos como comparar o número de casos, já que o mapa da parede era substituído por outro no início do ano, explica a diretora do Centro de Epidemiologia da secretaria, Eliane Maluf.
O distrito sanitário do Cajuru foi escolhido como área teste para a aplicação do sistema. Os casos de epidemias ocorridos em 1996 já estão disponíveis no sistema, diariamente atualizado. A região compreende os bairros do Capão da Imbuia, Cajuru, Jardim das Américas, Guabirotuba e Uberaba. No ano passado, foram registrados 111 casos de hepatite, 82 de meningite, 76 de tuberculose e 20 de leptospirose.
A tecnologia de geoprocessamento deve ser estendida aos oito distritos sanitários da cidade. A prefeitura publicou edital de concorrência internacional para compra de computadores, softwares, conversão de dados e desenvolvimento de aplicativos específicos para a área. O valor é de R$ 3 milhões, financiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), e a entrega das propostas vai até julho de 98. Os candidatos podem ser consorciados, para que todas as fases sejam cumpridas por um mesmo grupo.
A experiência da Secretaria de Saúde vai ser apresentada no 3º Congresso e Feira para Usuários de Geoprocessamento - GIS Brasil 97, que acontece de 12 a 16 de maio e deve reunir 5 mil pessoas no Centro de Convenções de Curitiba.


