Para quem sofre de leucemia mielóide crônica, só há uma salvação: o transplante de medula óssea. Mas o alto custo da cirurgia e do tratamento pós-operatório não deixa outra saída para uma boa parte dos doentes a não ser apelar para a solidariedade da população. A cirurgia indicada pode custar mais de R$ 100 mil reais e o que é pior: para ser feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a média de espera de cada paciente na fila pode chegar a três anos. Tempo que muitos deles não têm.
A dona-de-casa Marlene da Costa Silva, 40 anos, é uma das pacientes que aguardam pelo transplante. Segundo ela, o preço que lhe foi dado para a realização da cirurgia foi de R$ 120 mil, incluindo a internação. ‘‘Eu sei que é muito dinheiro, mas é minha única chance de sobreviver. Se cada um ajudar com um pouquinho pode salvar minha vida.’’
Ela descobriu que sofre da doença em agosto do ano passado e, desde então, vem se submetendo a uma peregrinação constante ao Hospital das Clínicas de Curitiba, para controle e tentativa de conseguir a cirurgia. Marlene já tem doador, um dos principais problemas para quem necessita de transplante. Seu irmão já fez os exames necessários - ele pode doar a medula. ‘‘Agora a minha luta é contra o tempo.’’ Enquanto a cirurgia não é possível, ela faz um tratamento para manter o equilíbrio do organismo.
O tratamento fez com que Marlene recuperasse o peso - ela chegou a perder 15 quilos - e melhorou seu estado geral. Mas os medicamentos utilizados têm efeitos colaterais sobre o estômago, rins e fígado. ‘‘Não sei até quando meu organismo vai suportar. Mesmo com tratamento e a alimentação, as dores são terríveis.’’
Marlene tem três meninos, com 14, 11 e nove anos. O marido é técnico em eletrônica. O casal mora em casa alugada. A cirurgia pode ser feita através do SUS, mas a fila de espera é de dois a três anos, tempo que nem sempre o paciente tem. A morte chega antes. Mesmo quem está disposto a pagar, precisa enfrentar fila e esperar até um ano pelo atendimento.
A estudante de psicologia Cleide Thoele, 29 anos, vive uma situação ainda mais drástica. Ela descobriu que estava com leucemia em março e, desde então, passa a maior parte do tempo internada no Hospital Universitário (HU), em Londrina, tratando as ‘‘recaídas’’. Seu filho de três anos teve de ir morar com a avó materna, Zulma Zornetta Thoele, em Medianeira. Quando Cleide fez a inscrição no SUS, para atendimento pelo Hospital das Clínicas, em Curitiba, era a número 214 da fila.
Segundo a mãe de Cleide, são realizados cerca de 100 transplantes de medula óssea por ano, pelo SUS. ‘‘Minha filha não vai conseguir aguentar tanto tempo.’’ Diante dessa realidade, a única chance de sobrevivência de Cleide é a cirurgia particular. Ela também já tem doador: o irmão de 21 anos. Os pais se dispuseram a vender um terreno e uma casa, mas os únicos compradores só vão poder pagar depois da safra.
‘‘Nós precisamos de pelo menos a metade do custo da cirurgia para garantir a operação.’’ Zulma diz que conversou com o hospital e conseguiu o compromisso de negociar um parcelamento. Tanto Marlene quanto Cleide estão com campanhas na tentativa de sensibilizar a população.
Serviço:Para quem puder ajudar, os números das contas bancárias das pacientes são os seguintes:
Marlene da Costa Silva - Banestado, agência 039, conta 191101-4 ou Banespa, agência 60, conta número 1214-8.
Cleide Thoele - Bamerindus, agência 0090, conta número 01711-11 ou Banestado, agência 041-8, conta número 15710-1.

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