Leandro Donatti
De Curitiba
O Conselho da Polícia Civil reúne-se hoje em Curitiba para analisar os reflexos da crise interna desencadeada na última sexta-feira com o pedido de demissão do corregedor Anníbal Bassan Junior; do diretor da Escola de Polícia, Adauto de Oliveira; e de doze delegados da Corregedoria. Eles se recusaram a revogar medida administrativa (provimento) que freia o abuso de autoridade e cobra mais critério da Polícia Militar na hora de efetuar prisões em todo o Estado. A reunião foi convocada pelo delegado geral da PC, Newton Rocha, e está marcada para as 9 horas, na sede da diretoria.
Os 16 delegados que integram o Conselho - além de Newton Rocha - foram chamados no final de semana. O clima ontem entre os delegados da Polícia Civil contactados pela Folha era bem mais tranquilo. Alguns deles estão ansiosos em saber se Rocha vai revogar mesmo o provimento de Bassan Junior, cedendo assim às pressões da Polícia Militar que sentiu-se atingida com a medida. Marco Antonio Lagana chegou ontem de viagem e participa da reunião de logo mais. Responsável pela Divisão de Investigações Criminais, Lagana assume a Corregedoria Geral na vaga de Bassan Junior. A nomeação deve sair ainda nesta semana.
Na reunião do Conselho, Rocha tende ainda a coletar sugestões sobre quem deverão ser os novos integrantes da Corregedoria da Polícia Civil. Bem como coloca à apreciação de alguns membros do Conselho os nomes que vêm analisando para assumir o comando da Escola de Polícia. O delegado geral busca substitutos que não acirrem ainda mais os ânimos e nem lhe criem novas insurreições.
A presença do secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, não estava confirmada até o início da noite de ontem, mas não era descartada. Cândido Martins e Rocha estão empenhados em dissipar as animosidades criadas na corporação e passaram o fim de semana em contato direto, inclusive com o governador Jaime Lerner (PFL), preocupado com a situação aparentemente sob controle. Para acalmar os ânimos na PM, tanto o secretário como o delegado geral sinalizavam sábado a possibilidade de revogarem o provimento de Bassan Junior, pelas dificuldades de aplicação.
A revogação pura e simples dá vantagem ao comandante-geral da PM, coronel Luiz Fernando de Lara, na queda-de-braço com a Polícia Civil. Nas consultas que fez a políticos influentes, Rocha foi aconselhado a aguentar a chiadeira dos delegados da Polícia Civil, revogar a decisão e acelerar o processo de unificação das polícias no Paraná. Lerner baixou no dia 9 de agosto decreto criando o ‘‘Grupo de Unificação das Polícias’’. O projeto é uma idéia nacional, que tramita no Congresso e o governo se antecipou ao processo.

mockup