Mireilli Baroni
De Santo Antônio da Platina
Especial para a Folha
Com a reconstituição feita ontem, a Polícia Civil considerou elucidado o assassinato do cerealista Lauro de Gouveia, de Quatiguá (63 km ao sul de Jacarezinho), encontrado morto em uma estrada rural de Joaquim Távora no dia 10 de janeiro. O mandante do crime teria sido o cunhado da vítima, o médico pediatra Ademir Parmezan, de 53 anos, que está foragido.
Segundo as equipes das delegacias de Andirá e Joaquim Távora, responsáveis pelas investigações, Parmezan, homossexual assumido, usou dois intermediários e dois pistoleiros para executar o crime.
Uma agressão que o médico sofreu do cerealista teria motivado o crime. Parmezan teria tentado apartar uma briga de Gouveia com sua irmã e levado a pior. ‘‘Havia uma antipatia mútua entre os dois por isso. As provas foram sendo juntadas e a suspeita recaiu sobre o médico’’, disse Júlio César de Souza, delegado de Joaquim Távora. ‘‘A prisão de Parmezan é uma questão de tempo. Temos pistas muito sólidas sobre o local onde ele está escondido’’, afirmou o delegado de Andirá, Mário Sérgio Bradock.
Isamar dos Santos, o ‘‘Cheiroso’’ (que disse a polícia ser namorado do médico), foi a peça-chave para esclarecer o homicídio, que comoveu e intrigou a população de Quatiguá. Isamar tem um relacionamento público com Parmezan, o que chamou a atenção da polícia, que decretou sua prisão temporária. Embora não haja indícios que ele esteja envolvido no crime, Isamar confessou ter acompanhado todo o processo de negociação entre contratante, intermediários e pistoleiros.
Com base no depoimento dele foi feita a reconstituição. O autor do disparo teria sido Arildo Veiga de Souza, residente em Congonhinhas, com a ajuda de José Augusto de Almeida, o Zé do Bode, que mora na capital paulista.
Ambos, foragidos, foram contatados por Carlos Pereira da Silva (preso anteontem) e Émerson Pereira, o Polaco, 24 anos (que, segundo as investigações, é namorado de Parmezan em Andirá). Polaco também está sendo procurado pela polícia. Segundo Isamar, os envolvidos dividiram os cerca de R$ 20 mil pagos pelo médico.
Todos eles, menos Isamar, que deve ser liberado hoje, deverão ser indiciados por homicídio triplamente qualificado (emboscada, motivo torpe e ação em troca de pagamento). Eles poderão cumprir pena de 30 anos em regime fechado. (Colaborou Lúcio Flávio Moura)

mockup