Maringá - O casal de namorados estava dando um tempo na lanchonete naquela sexta-feira à noite, que era de muito calor e pouco dinheiro. Uma garrafinha de refrigerante para dois e a desculpa de que a alta temperatura havia abalado a fome e, por isso, a porção pequena de batatas fritas era suficiente para suprir o jantar, fizeram parte do combalido cenário romântico daquela noite. Depois de um bate-papo, troca de beijinhos e do olhar de desânimo do garçom que sabia que dali não sairia uma comissão por venda de bebidas e nem mesmo uma gorjeta decente, o casal resolveu ir embora.
Próximo da lanchonete, porém, João, ainda indiferente ao casal de namorados, estava nervoso. Naquela noite, ele havia decidido que não iria mais passar um final de semana sem um trocado no bolso. Emprego, trabalho ou um bico para descolar uma grana foram idéias que não povoaram a mente de João. Ao contrário. No período da tarde daquele dia furtou do próprio sobrinho uma pistola de brinquedo. A arma mais parecia uma mini-metralhadora, de tão poderosa aparentemente.
Com a arma na cintura, João saiu para o crime. De longe passou a observar o casal abraçadinho saindo da lanchonete. Não deu outra. João dediciu que a vítima seria mesmo o casal. A moça animada caminhava com o namorado quando os dois perceberam a presença do homem suspeito. João rodeava pela avenida o casal, que resolveu apressar o passo. Em seguida, o pânico. João deu voz de assalto.
O namorado quase caiu para trás tamanho o susto ao observar o trabuco do assaltante. João falou de forma incisiva:
- Passe já todo o dinheiro de vocês.
A namorada não sabia se ria ou chorava. Afinal, que dinheiro o malandro queria?
- Vamos, passem logo o dinheiro, senão vocês já sabem, meto bala - falou João, tentando aterrorizar o casal e descolar a grana.
O namorado não pensou duas vezes. Abriu a carteira e retirou a única nota que havia em meio a documentos e recadinhos cor-de-rosa da namorada.
- Toma moço, é o que eu tenho - disse apavorado o namorado.
João quase teve um troço. Todo aquele esforço por R$ 10,00. Mesmo assim, pegou o dinheiro e saiu correndo. Já o casal ficou desesperado. Havia ido embora o dinheiro, que era a garantia para mais refrigerantes e batatas fritas no sábado e a saideira para o domingo.
Não deu outra. O casal gritou pela polícia. Correu para um orelhão e chamou a PM. Os policiais, solidários com a situação, decidiram fazer diligências na área. E não é que encontraram o bandidão do João em uma esquina? O camarada foi logo para a delegacia.
Enquanto autuava João em flagrante por roubo, o delegado pensou: ``Ah... se todo crime fosse assim, a violência estaria eliminada``. Já o casal não perdeu tempo e correu na delegacia resgatar os R$ 10,00 e salvar o final de semana. Enquanto isso, os policiais estavam rindo da arma de brinquedo do João. Um deles, porém, lembrou que se o bandidão resolvesse usar a pistola do sobrinho contra os policiais que o prenderam, aí a história seria outra, iria rolar no IML e de engraçada não teria nada.

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