Cultura perde um talento
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sábado, 09 de setembro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Morreu ontem, em Londrina, às 10 horas, o jornalista e roteirista londrinense Francelino França. Ele estava internado no Hospital Evangélico desde a última segunda-feira e morreu em decorrência de falência do intestino. Ele tinha completado 42 anos na última sexta-feira.
Segundo o pai, Moacir Corneta, de 75 anos, há 14 anos o filho lutava contra problemas de saúde. Primeiro foi a necessidade de hemodiálise e a espera de seis anos para conseguir o transplante de rim. Quatro anos depois, foi diagnosticado câncer no intestino. Nesse período, França passou por três cirurgias e tratamento com quimioterapia.
Ele foi internado, segundo o pai, porque o intestino já não estava funcionando direito, o que o impossibilitava de se alimentar. Sem condições de passar por outra cirurgia, a recomendação médica foi esperar o intestino voltar a funcionar. ''Já não tinha mais jeito, ele não podia operar, e a gente só podia aguardar. Mas, nos últimos tempos ele estava bem, e muito feliz, o cinema era a vida dele'', disse.
A atividade à qual o pai se refere é a produção do curta-metragem ''Maria Angélica'', rodado no mês de agosto, agora em fase de finalização. Desde março deste ano, França se preparava para fazer o curta, que teve orçamento aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura - Promic. O filme traz a história de uma garota que vive entre a opressão da mãe agressiva e a liberdade do seu próprio mundo, com amigos reais e imaginários. França fez o roteiro do filme, além da direção.
Quem trabalhou com ele na produção do curta ressalta o profissionalismo e a preocupação com a qualidade técnica e estética. ''Ele era uma pessoa superconcentrada no que fazia e adorava cinema'', disse o diretor de fotografia do curta, o jornalista e fotógrafo Milton Dória.
França também trabalhou durante cerca de 10 anos na Folha de Londrina, como repórter da Folha da Sexta e da Folha 2. Era um repórter especializado em cultura, ligado principalmente ao teatro, segundo a editora da Folha 2, Célia Musilli. Na Folha, ele cobriu várias edições do Festival Internacional de Londrina (FILO) e do Festival de Teatro de Curitiba.
''Era um dos jornalistas mais expressivos na área de teatro em Londrina, imprimia aos seus textos muita informação e credibilidade. Ele fazia críticas que nem sempre agradavam, mas tinha coragem de emitir opinião. O França nunca parou de produzir, mesmo doente. A criação era tudo para ele, tanto é que enveredou para a dramaturgia e a direção teatral. A última paixão foi o cinema'', disse.
Em junho deste ano, o grupo londrinense Boca de Baco estreou no FILO a peça ''Último Inverno'', escrita por França, que também atuou como assistente de direção.
O corpo do jornalista está sendo velado na capela da Acesf, e o enterro está previsto para acontecer hoje, às 10h30, no cemitério São Pedro.


