Cultura negra é tema de projeto em escola
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem local 
Apresentações de dança e música, exposições de fotos e bate-papos sobre a cultura negra foram realizadas ontem na Escola Estadual Olavo Garcia Ferreira da Silva, no Conjunto Avelino Vieira, Zona Oeste de Londrina. As atividades fazem parte do encerramento da programação realizada pela Equipe Multidisciplinar que, durante dois meses, abordou o assunto.
''Neste primeiro semestre já trabalhamos a cultura indígena e agora a negra. No segundo semestre vamos trazer para a sala de aula as demais culturas e fazer uma festa das nações no final'', disse a diretora Judithe Santana Palazzo, explicando que a ideia partiu do Núcleo Regional de Ensino, que orientou as escolas a trabalharem questões raciais em sala de aula. ''Montamos uma equipe multidisciplinar de professores.''
Judithe afirmou que entre os ítens apresentados aos alunos estão história e questões sociais e culturais. ''Demos mais ênfase aos índios e negros porque são etnias que tem maior evidência na escola'', afirmou. Conforme ela, as crianças ficaram maravilhadas com o conhecimento e os professores motivados com a dedicação dos alunos. ''Na edição dos índios, os próprios alunos se organizaram e montaram um jogral sobre o tema. Desta vez um outro grupo teve a iniciativa de trazer o pagode, um ritmo característico da cultura afridescendente'', acrescentou.
A escola conta com 700 alunos de 3 a 8 séries, a temática foi trabalhada em sala de aula por todas as disciplinas do currículo escolar. O professor de Educação Física Cleverson Oliveira integra a equipe e disse que o resultado superou as expectativas. ''Alguns moradores da região vieram até à escola para assistir as apresentações, acreditamos que estas atividades servem para que as pessoas valorizem as próprias origens'', disse.
O fotógrafo Walter Ney foi convidado pelos professores para compartilhar sua experiência com os alunos. ''Estive na África do Sul e elaborei um vídeo com fotos em homenagem ao dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Acho que esta é uma temática que não deve se limitar à data'', destacou.
Ele afirmou que a conversa com os estudantes foi muito positiva. ''Eles estavam curiosos sobre a África do Sul, e foi uma oportunidade de mostrar a foto como linguagem'', completou. Para ele, um dos ítens mais positivos do trabalho são as portas abertas da escola para a comunidade. ''Fico contente em participar de uma atividade como esta.''
Para Débora de Andrade, mãe da aluna Natasha, 8 anos, o trabalho dos professores é válido porque incentiva as crianças a estudarem assuntos diferentes. ''Eles aprendem mais sobre a mistura de raças e a cultura brasileira'', disse.


