Cultura afro no ensino básico
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Marian Trigueiros<br>Equipe da Folha 
Londrina - Um dos principais motivos de evasão escolar é a distância da escola com o universo do aluno, ou seja, a falta de identificação do estudante com a instituição. A afirmação é do presidente da Fundação Cultural Palmares, Edvaldo Mendes Araújo, que usa este argumento para defender a inclusão da disciplina de história e cultura afrobrasileira no currículo da rede pública de ensino.
Para Araújo, essa questão é fundamental para corrigir a distorção em relação às manifestações negras e ressaltar a contribuição da raça no campo da cultura. A discussão é primordial, mas não basta só a lei estar no papel; deve ser aplicada em sua plenitude. Ainda há falta de informação, preconceito e principalmente desrespeito, sobretudo, com a intolerância religiosa, disse.
A lei a que ele se refere é a 10.639, que prevê que o ensino da história e cultura negra seja inserido na grade curricular do ensino básico e fundamental, principalmente, por meio da literatura.
Na semana passada, o presidente da Fundação esteve em Londrina e participou de um encontro direcionado a professores da rede municipal, com objetivo de sensibilizar os docentes sobre a importância da diversidade cultural na educação.
O papel da Fundação é estimular os professores que contribuam para uma sociedade mais democrática, mais rica. Visamos também diminuir a deficiência da presença da cultura afrodescendente no ensino básico. Ainda hoje, as informações passadas são estigmatizadas em relação a manifestações culturais do negro, destacou o presidente.
É fundamental que haja compreensão de que o acesso à informação da história é direito de todos, não só para a comunidade negra, mas para toda a sociedade. Por isso, a importância de dialogar sobre o assunto com quem lida diretamente com as crianças.
Resistência
Segundo Araújo, ainda há resistência por parte dos professores. Queremos que a comunidade negra seja tratada como as demais etnias para que alcancemos os mais variados segmentos da sociedade. E esse processo começa no campo educacional. Para isso, precisamos capacitar os profissionais para que a mensagem seja passada de forma correta e assim, adotem o conteúdo adequado. Lembremos que não existe criança racista, mas sociedade racista., completou.
Ele também defende o sistema de cotas nas univer-sidades.Estima-se que se não houvesse o sistema, precisaríamos de 100 anos para reduzir o déficit de negros estudando. Hoje, cerca de 250 mil jovens estão na universidade. Em quatro anos, desde a implantação da lei, esse valor corresponde ao dobro de toda a história do Brasil.


