Lúcio Horta
De Londrina
A Igreja Católica, o Conselho dos Pastores Evangélicos e outras 30 entidades de classe de Londrina promoverão hoje, a partir das 11 horas, um ‘‘Culto Ecumênico pela Moralidade Pública e o Fim da Corrupção’’. O evento ocorrerá nas escadarias da Catedral e a expectativa é que reúna mais de mil pessoas. ‘‘Esse é um ato cívico e religioso, mostrando que quem usa a política deve servir ao cidadão’’, explicou padre Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos, assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina. ‘‘Queremos mostrar que a população está atenta.’’
Segundo ele, a idéia sobre o culto ocorreu numa reunião na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), anteontem à noite, onde estiveram reunidos representantes de 30 entidades. Manoel Joaquim conduzirá os trabalhos em nome da Igreja Católica, substituindo dom Albano Cavallin – que não poderá estar presente –, e o reverendo Lucimar Manoel Vieira, presidente do Conselho dos Pastores, será o representantes das igrejas evangélicas. Outros 20 padres, aproximadamente, e entre 15 e 20 pastores também estarão presentes.
O padre acrescentou que o culto faz parte de um ‘‘conjunto de ações’’ que as entidades de classe londrinenses estão promovendo na cidade pela moralidade na administração pública. Entre essas ações, ele disse, estão o apoio público ao trabalho dos promotores Bruno Galatti e Cláudio Esteves, que investigam supostas irregularidades na administração municipal, sobretudo na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb); e também a cobrança das entidades pela aprovação, na Câmara, de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar essas irregularidades.
O culto ecumênico deve fechar uma semana tumultuada. A formação da CEI foi discutida nas duas sessões da semana, na Câmara, e em nenhuma delas chegou a ser votada. A maior confusão ocorreu quinta-feira, quando centenas de manifestantes lotaram as galerias da Câmara para acompanhar as discussões.
Uma parte dos presentes era formada por representantes de entidades civis de Londrina – entre elas OAB, Acil e Igreja Católica –, que vem cobrando dos vereadores a aprovação da CEI. Este mesmo grupo, antes do início dos trabalhos do Legislativo, promoveu um abraço simbólico no prédio da Câmara. A outra parte dos manifestantes chegou à Câmara em três ônibus fretados e pouco sabiam o que seria votado. ‘‘Parece que querem o impeachment do prefeito’’, chegou a dizer um deles.
Renato Araújo (PPB), presidente da sessão, paralisou os trabalhos várias vezes. Numa delas, recebeu vaias e retrucou: ‘‘Fica quieto, cambada de vagabundo!’’ Por volta das 17 horas ele acabou encerrando definitivamente a sessão, alegando falta de segurança. A decisão, no entanto, acabou interpretado por alguns manifestantes como ‘‘manobra política’’.
A confusão na Câmara não era esperada porque o prefeito Antonio Belinati (PFL), de manhã, convocou uma coletiva para anunciar que estava liberando os vereadores da bancada governista para votar a favor da CEI. ‘‘Eu até agora estou tentando fazer uma leitura do que aconteceu. Porque a minha intuição indicava que os 21 vereadores iriam aprovar a comissão especial. E, de repente, acho que alguém não entendeu o processo’’, afirmou ontem o prefeito. ‘‘Não tem sentido você arrastar uma discussão quando já há uma conscientização de que a comissão especial tem que ser instaurada’’, afirmou.
Se for aprovada, a comissão especial promete esquentar ainda mais o debate sobre as supostas irregularidades na administração municipal. O caso vem sendo investigado desde fevereiro, quando chegou ao Ministério Público denúncia de superfaturamento na contratação de serviço de capina e roçagem, por parte da AMA. Depois, descobriu-se que a AMA também teria pago, sem nunca ter recebido, milhares de lixeiras. Também suspeitou-se da compra de uma quantidade excessiva de marmitex.
A investigação avançou sobre a Comurb, onde há suspeita de irregularidades em aproximadamente 100 processos licitatórios, a maioria na modalidade carta-convite. Entre as irregularidades estão serviços não realizados, falsificação de documentos e contratação de empresa fantasma. O prejuízo aos cofres públicos, conforme documentação apurada pela promotoria pode passar dos R$ 14 milhões. Segundo depoimento prestado pelo ex-diretor-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, o prejuízo é superior a R$ 30 milhões. (Colaborou Paulo Henrique Faria)Católicos, evangélicos e integrantes de cerca de 30 entidades de Londrina participam hoje de ato nas escadarias da Catedral
Arquivo FolhaO CULTOPadre Manoel Joaquim: ‘‘Ato cívico e religioso para mostrar que a população está atenta’’A CEIBelinati: ‘‘Não tem sentido você arrastar uma discussão quando já há uma conscientização’’

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