‘Culto à heróis é normal’
O arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, não vê nada de errado nas orações e pedidos encaminhados a pessoas falecidas. ‘‘Cultuar seus heróis é um direito de todos’’, afirma. Segundo o arcebispo, ele não conhecia os ‘‘milagreiros’’ de Londrina. ‘‘Passei a maior parte da minha vida em Curitiba e os de lá conheço bem’’, diz. Para dom Albano, porém, é natural que uma família – no caso, uma cidade – tenha seus pontos afetivos. ‘‘Todos nós precisamos de modelos. E isto não é privéligo local’’, afirma.
Segundo o arcebispo, em Cambé, há a capela mortuária do padre Sinforiano, que viveu 30 anos na cidade e é considerado ‘‘pai de Camb钒. ‘‘Em Porecatu, os arquitetos fizeram com que o cemitério girasse em torno do túmulo do padre Calógero’’, afirma. Para ele, isso está de acordo com os arquétipos da humanidade. ‘‘Se a população se identifica com estes heróis, não há mal nenhum. Se forem pessoas religiosas, o exemplo é melhor ainda’’, diz.
Segundo dom Albano, todas as mães que deram a vida por seus filhos deveriam também ser cultuadas. ‘‘Mas nós, brasileiros, esquecemos nossos antepassados. Nossos mortos ficam esquecidos. E os mais esquecidos de todos são os túmulos dos padres, que também são heróis’’, garante. (T.E.)

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