Diante da conjuntura desfavorável para a cafeicultura, configurada pelos preços baixos do produto no mercado mundial e pelas consequências da geada no ano passado, técnicos do setor cafeeiro querem discutir como viabilizar a permanência dos produtores paranaenses neste segmento.
O modelo do cultivo adensado, a situação pós-geada, além das orientações necessárias para manter o Paraná na produção da bebida serão os temas do 9º Encontro Estadual do Café, que acontece no dia 4 de abril durante a 41ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
A realidade cafeeira do Estado será enfatizada no primeiro bloco do encontro. Números do período pós-geada, dados de acompanhamento de lavouras cafeeiras e exposição de casos e vivências de agricultores fazem parte do programa.
No segundo bloco, serão privilegiadas as perspectivas possíveis para a cultura, visando fornecer parâmetros para as decisões dos cafeicultores na condução da atividade. A parte final será dedicada ao encaminhamento e propostas das conclusões levantadas.
Modelo adensado De acordo com Florindo Dalberto, presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e gerente da Câmara Setorial do Café, o debate promovido pelo 9º Encontro é relevante porque a geada veio antes da finalização do ciclo de transformações propostas para adequação das lavouras ao sistema adensado. ‘‘A época é propícia para reforçar as linhas mestras do modelo, baseado em um sistema intensivo de alta produtividade, com custos mais baixos e dentro de um processo de diversificação indicado para proporcionar alternativas nos momentos de crise’’, explicou.
Segundo ele, o momento é oportuno para lembrar aos produtores sobre a necessidade de seguir os pressupostos básicos do modelo, que incluem o respeito aos zoneamentos micro e macroclimáticos e os cuidados de proteção prévia da lavoura contra intempéries. ‘‘O café adensado não é imune à geada, mas o sistema de produção deveria ser, na medida em que inclui os contratempos climáticos no planejamento’’, argumentou.
Perspectivas O cenário atual indica que a produção mundial de café é superior ao consumo, informou o engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, coordenador regional do Departamento do Café do Ministério da Agricultura e Abastecimento na região de Londrina, e que vai expor a conjuntura da produção na segunda parte do evento.
‘‘Os países consumidores possuem estoques grandes de café, fator que dificulta qualquer retomada de preço’’, comentou. O momento requer mudanças no gerenciamento das propriedades, para que se tornem mais produtivas e exijam menos investimentos. ‘‘O produtor precisa se preparar para sobreviver na cultura’’, ressaltou.
Na visão de Barbosa, o apoio do poder público é essencial para a retomada do desenvolvimento cafeeiro. ‘‘É preciso sensibilidade por parte dos governantes, pois a cafeicultura possui representação econômica forte e tem o papel de gerar empregos e distribuir renda nos municípios cuja economia é baseada na atividade’’.
Para ele, os cafeicultores que se mantêm no método tradicional de cultivo são os que mais precisam de apoio, pois o modelo é inviável nos momentos de crise. Como exemplo de medidas possíveis, o agrônomo sugere viabilizar a substituição do modelo tradicional pelo adensado, através do subsídio de parte dos juros, da venda de mudas mais baratas e do acesso à assistência técnica. ‘‘Os governantes precisam mostrar que acreditam na cultura, para manter a chama acesa’’, enfatizou.
Inscrições Agricultores de 10 regiões produtoras de café deverão participar do evento, que oferece vagas para até 250 participantes. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente nos escritórios locais da Emater, que encaminhará convites pessoais e intransferíveis para acesso ao parque e ao evento. Informações no telefone (43)341-1411.

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