Marcelo AlmeidaÉ preciso gosto e paciência para cuidar de flores, mas o resultado é sempre compensadorNem todo mundo cuida do jardim de casa - a alguns passos do quarto ou da sala. É preciso gosto e paciência para tratar das plantas que estão ao lado - muito mais para aquelas que ficam a quilômetros de distância.
A professora Iracema da Silva Souza, 47 anos, vai todos os finais de semana a Guaratuba, no litoral do Paraná, para se dedicar ao jardim. Mas ela não se importa. ‘‘É uma terapia para mim.’’
Albari RosaO lírio vermelho se destaca entre as flores de dona Halina, que não perde qualquer oportunidade de arranjar mais um exemplar para seu jardimEm Curitiba, Iracema mora num apartamento. Por isso, quando chega na casa do litoral, compensa a falta do verde da cidade. A cada final de semana, inventa uma novidade para o jardim. E não deixa ninguém dividir as tarefas com ela.
Até o ano passado, Iracema tinha um jardim desordenado. ‘‘Misturava todos os tipos de plantas que eu gostava.’’ Há seis meses, resolveu contratar um escritório de arquitetura para planejar o jardim. Hoje, as plantas estão melhor adequadas. Nada foi colocado por acaso. Algumas têm funções, além de ser decorativas. Os ibiscos, por exemplo, atraem beija-flor e a Lantana Cambará é um convite para as borboletas.
Mauro FrassonA phlox é uma das forrações mais comuns, ao do agapanto, beijo americano, onze horas e tagetes
Segundo os arquitetos Maria Lúcia Delattre e João Alberto de Lara, a vegetação escolhida foi, em grande parte, perene e tropical por causa do clima e por ser uma casa de praia. ‘‘Mesclamos cores, portes, formas e texturas para ter um resultado leve, alegre e colorido’’, diz Maria Lúcia. ‘‘O colorido, muitas vezes, foi obtido apenas com os diferentes tons de verde das folhagens.’’
O jardim de Iracema tem várias espécies e cores. As principais são verde, laranja, amarelo e roxo - as que ela mais gosta. Flores e árvores distraem Iracema o tempo todo em que está na praia. O marido e os filhos saem e ela continua mexendo na terra. Sair para conversar, como fazia há um ano, não consegue mais - e nem sente falta. ‘‘Não dá mais tempo.’’ Hoje, a prioridade é o jardim. (A.C.)

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