Um ato simples como a higienização das mãos pode salvar vidas. O médico Clóvis Arns da Cunha, professor de doenças infecciosas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista pela Universidade de Minnesota (EUA), esteve em Londrina ontem para ministrar uma palestra aos médicos e falou da importância de evitar a proliferação de doenças em ambiente hospitalar. ''A higienização das mãos com água e sabão e o uso do álcool com 70% de graduação fazem com que a infecção hospitalar reduza significativamente'', relatou Cunha, que participou do lançamento da campanha da Unimed de combate à infecção hospitalar.
Segundo um estudo publicado pelo Ministério da Saúde, o impacto da higienização das mãos depende da adesão das pessoas, pois se um produto for 100% eficaz na assepsia e for utilizado por 20% das pessoas, o impacto da higienização é de 20%. Um produto com eficácia de 50% que for utilizado por 50% terá um impacto de higienização de 25%, ou seja, mesmo um produto menos eficaz pode ter um impacto maior se a adesão for maior.
Cunha explica que o álcool a 70% é mais eficaz do que o uso da água e sabão, pois possui uma ação antisséptica, mas destaca a importância da adoção dos procedimentos de higienização para que o impacto seja positivo. ''Os médicos que trabalham quatro horas em hospital deve higienizar as suas mãos cerca de 40 vezes'', calcula.
O especialista alerta ainda que as pessoas que entram em contato com o paciente devem higienizar as mãos pelo menos duas vezes - ao entrar e sair do quarto. Ele desaconselha que as pessoas levem objetos, comida ou flores ao visitar um paciente.
O médico relata que a infecção hospitalar tem sido a causa de várias mortes pelo País e desde 2009, com a proliferação da enzima KPC (Klebsiella pneumoniae canbapenemese), que cria um bloqueio para que os antibióticos ajam sobre as bactérias, A preocupação com as bactérias multirresistentes tem aumentado. Somente em Londrina, o número de casos de KPC passou de 340 no ano passado para mais de 800 e se tornou endêmico.
''A KPC é uma enzima que destrói a ação do antibiótico de amplo espectro mais usado pelos hospitais e agora temos outras enzimas que estão apresentando resistência aos antibióticos como a BLEE (betalactanases de espectro estendido)'', adverte. Cunha destaca que entre os pacientes que não recebem tratamento adequado 7,6% das pessoas sofrem choque bacteriano a cada hora e morrem.

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