Com os dias mais quentes, as pessoas aproveitam para tomar banho de mar ou piscina e pegar "uma corzinha". Mas se bronzear neste período do ano pode ser prejudicial à saúde. Seja na água, na areia, ou até mesmo em baixo da barraca, todos ficam expostos aos raios de sol, o principal causador de câncer de pele.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que até o fim deste ano sejam diagnosticados 500 mil casos de câncer no Brasil. O de pele lidera esse ranking com 120 mil casos, o que corresponde a 25% do total dos cânceres. O chefe da dermatologia do Inca, Dolival Lobão, explica que em um país tropical como o Brasil, com alta incidência de raios solares, não dá pra fugir do sol. Logo, o melhor a fazer é se proteger dele.
"Use protetor solar, ele é um instrumento extremamente importante na prevenção do câncer de pele, que acomete muito mais a região da cabeça e do pescoço. O boné também é muito importante. E óculos de sol, de boa qualidade, para prevenir a catarata precoce", recomenda Lobão.
O filtro solar deve ser aplicado meia hora antes da exposição ao sol e reaplicado a cada duas horas ou após cada mergulho. Quanto aos fatores de proteção, que podem chegar ao número 90, a Comunidade Dermatológica sugere que seja utilizado o de fator 30.

Solução paliativa
Em casos de exagero na exposição ao sol, a solução paliativa é hidratar. Essa medida não evita o câncer, pois o malefício já foi provocado. Por isso o dermatologista explica que o importante é fazer a prevenção. "A maioria dos cânceres de pele se desenvolve de maneira cumulativa. Quanto mais sol a pessoa toma durante a vida mais chance ela tem de ter câncer de pele. E ele pode se manifestar só 20 ou 30 anos depois dessa exposição excessiva", explica.
Vale lembrar que não é só no verão que o sol faz mal para a pele. A insolação existe em um dia de céu claro ou com tempo nublado.
Lobão explica que existem dois tipos de raio ultravioleta. O A que provoca o envelhecimento da pele e o B que provoca o câncer de pele. A diferença é que o A está presente das 7 às 19 horas e mantém a mesma intensidade durante todo o dia. Já o B é mais intenso em torno das 12 horas. "Para evitar o câncer de pele deve-se evitar o sol das 10 às 15 horas. Mas isso não evita o envelhecimento", conclui.

Tratamento
O câncer de pele é dividido em dois tipos: melanoma e não melanoma. O primeiro é o mais agressivo, e pode surgir de pintas pretas, que vão se desenvolver, se transformar e produzir metástases (alastramento da doença que pode levar ao óbito). A maioria dos cânceres de pele, não melanoma, são tumores com poder de destruição local muito grande e não fatais. Esses podem aparecer como ferimentos, principalmente na cabeça e no pescoço, que se não cicatrizarem em cerca de 10 dias passam a ser preocupantes e deve procurar o médico.
O tratamento para o câncer de pele é basicamente cirúrgico. Mas já existem outras modalidades terapêuticas não agressivas e não cirúrgicas, indicadas para cânceres iniciais.

Procura
E o fim do verão é o momento ideal para procurar um dermatologista e fazer a revisão da pele. Após intensa exposição ao sol, examinar pintas, manchas e lesões pode ajudar a prevenir o câncer de pele. Segundo o dermatologista do Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul (ligado ao Ministério da Saúde), Paulo Andrade, a radiação solar recebida nos dias de intenso sol e calor vai provocando o surgimento de manchas e alterações na pele.
"Quando aparece uma tonalidade escura nos sinais, mais enegrecida, isso é um sinal de alerta. Orientamos remover os sinais, mas a tonalidade dele – clara ou um pouco escura – e que não está se modificando pode não ser indicativo de um problema maior, mas sempre é interessante a pessoa ir ao profissional para ser examinada quando surgir alguma lesão diferente", explica.

mockup