O 26º Simpósio Anual da Associação Paranaense de Oftalmologia, iniciado na sexta-feira em Londrina, terminou ontem com uma série de palestras abordando temas como a oftalmopediatria, glaucoma, lentes de contato e catarata.
Um dos participantes foi o médico Carlos Augusto Moreira, professor-titular da Universidade Federal do Paraná e da Faculdade Evangélica, que falou sobre as patologias oculares que atingem as crianças. Segundo ele, os cuidados preventivos com a visão devem começar já no berço para evitar futuras complicações.
''O pediatra deve observar se a criança tem glaucoma, catarata bilateral, estrabismo ou tumores intra-oculares. Os exames são básicos e fáceis de ser realizados. Mas, infelizmente, eles não são feitos no Brasil. Não existe interação entre pediatras e oftalmologistas'' - diz. Moreira prega a urgência em verificar se a criança sofre de angiopia, uma moléstia grave que reduz a visão apesar da aparente perfeição anatômica ocular.
O método é ''fechar o olho bom e deixar que o ruim trabalhe''. ''Esse exame deve ser feito no segundo ano de vida, quando o olho da criança já cresceu'' - diz. No caso de não encontrar qualquer problema, recomenda-se uma consulta posterior aos 6 anos, idade em que muitas crianças revelam dificuldades na escola justamente por causa da visão.
O médico e professor-titular da USP e Unicamp, Newton Kara José, lembrou no Simpósio que 7% da população até os 7 anos de idade usa óculos. O tema de sua palestra, porém, foi lente de contato. Ele afirma que a cirurgia de miopia não veio para aposentar lentes (e óculos), como muitos imaginam. ''Ela é fabulosa, é um avanço, mas atende apenas uma parcela da população. São os 10%, que sofrem de miopia de 2 a oito graus e estão na faixa dos 20 aos 40 anos de idade. Para a grande maioria, a operação não substitui a lente'' - diz.
Segundo o médico, o surgimento da cirurgia fez com que se acelerassem as técnicas de aperfeiçoamento das lentes de contato. Ele condena, contudo, quem troca os óculos pelas lentes indo direto à ótica sem passar pelo diagnóstico de um especialista. ''As pessoas acham que só a coincidência de graus basta para trocar um pelo outro. Ignoram todo o processo de adaptação'' - diz. O Simpósio foi realizado no Hotel Sumatra e contou com 350 participantes.

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