A máquina biológica do ser humano tem garantia de bom funcionamento até o fim da vida da pessoa. ‘‘É como um carro modelo 37 que sempre foi de um único dono. Ele pode gastar mais combustível, não vai ter injeção eletrônica, nem air bag; mas se tiver sido bem cuidado vai poder transportar você com a mesma tranquilidade e eficiência de um carro zero quilômetro’’, garante o médico geriatra Marcos Cabrera.
O tema vai ser abordado no seminário ‘‘A Vida Depois dos 40’’, organizado pelo Sesc da rua Fernando de Noronha (centro), que começa amanhã. A palestra do geriatra ‘‘A saúde após os 40’’, abre o seminário que estará acontecendo até sexta-feira, sempre a partir das 19 horas.
Marcos Cabrera diz que nunca é tarde para começar a se cuidar, mas quanto antes melhor. ‘‘O preconceito é o principal obstáculo a ser superado. As pessoas precisam entender que o envelhecimento não é negativo. É um processo natural, progressivo e inevitável’’, diz.
O estilo de vida e as doenças desenvolvidas, diz o médico, são fatores determinantes sobre a forma como o organismo vai reagir à passagem do tempo. Uma pessoa ativa (produtiva), com bons hábitos alimentares e de vida, que desenvolve atividades físicas com frequência vai envelhecer com mais qualidade. ‘‘O segredo da juventude é a auto-estima. Quem se gosta se cuida’’, afirma Cabrera.
Os 40 anos, esclarece, são um marco importante porque, tanto fisicamente quanto socialmente, marcam uma etapa de transformações profundas. Além da mudança externa: rugas e mudanças do corpo; o organismo entra em um novo ritmo. Socialmente, esclarece, esta idade é de reflexão e dúvidas sobre o que se realizou.
O geriatra explica que quando a pessoa atinge os 40 anos, a família costuma estar estruturada e as crianças já entraram na fase de início de independência. O mercado de trabalho também fica restrito e quem não se estabeleceu até os 40 anos sabe que vai enfrentar sérias dificuldades para continuar produtivo.
Segundo ele, a falta de uma política econômica e cultural que valorize a experiência da maturidade e velhice, e um sistema de saúde que não atende às necessidades da população, fazem as pessoas se sentirem abandonadas. ‘‘As nossas escolas ensinam que a capital da Líbia é Beirute, mas não educam as crianças para envelhecer e a respeitar as pessoas idosas’’, finaliza.
A psicóloga Maria Elena Carvalho, 44 anos, procurou a orientação de um médico geriatra no ano passado. Ela conta que não sentiu a ‘‘virada dos 40’’, mas quer conservar sua saúde e disposição por muito tempo. ‘‘Li muito e achei que o melhor seria procurar um geriatra para uma análise do meu organismo e acompanhamento preventivo’’, afirma. Diz que ‘‘não gosta muito’’ da idéia de envelhecer e, por isso, está apostando na prevenção.

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