Cuidados garantem saúde a vida inteira
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Célia Baroni 
A máquina biológica do ser humano tem garantia de bom funcionamento até o fim da vida da pessoa. É como um carro modelo 37 que sempre foi de um único dono. Ele pode gastar mais combustível, não vai ter injeção eletrônica, nem air bag; mas se tiver sido bem cuidado vai poder transportar você com a mesma tranquilidade e eficiência de um carro zero quilômetro, garante o médico geriatra Marcos Cabrera.
O tema vai ser abordado no seminário A Vida Depois dos 40, organizado pelo Sesc da rua Fernando de Noronha (centro), que começa amanhã. A palestra do geriatra A saúde após os 40, abre o seminário que estará acontecendo até sexta-feira, sempre a partir das 19 horas.
Marcos Cabrera diz que nunca é tarde para começar a se cuidar, mas quanto antes melhor. O preconceito é o principal obstáculo a ser superado. As pessoas precisam entender que o envelhecimento não é negativo. É um processo natural, progressivo e inevitável, diz.
O estilo de vida e as doenças desenvolvidas, diz o médico, são fatores determinantes sobre a forma como o organismo vai reagir à passagem do tempo. Uma pessoa ativa (produtiva), com bons hábitos alimentares e de vida, que desenvolve atividades físicas com frequência vai envelhecer com mais qualidade. O segredo da juventude é a auto-estima. Quem se gosta se cuida, afirma Cabrera.
Os 40 anos, esclarece, são um marco importante porque, tanto fisicamente quanto socialmente, marcam uma etapa de transformações profundas. Além da mudança externa: rugas e mudanças do corpo; o organismo entra em um novo ritmo. Socialmente, esclarece, esta idade é de reflexão e dúvidas sobre o que se realizou.
O geriatra explica que quando a pessoa atinge os 40 anos, a família costuma estar estruturada e as crianças já entraram na fase de início de independência. O mercado de trabalho também fica restrito e quem não se estabeleceu até os 40 anos sabe que vai enfrentar sérias dificuldades para continuar produtivo.
Segundo ele, a falta de uma política econômica e cultural que valorize a experiência da maturidade e velhice, e um sistema de saúde que não atende às necessidades da população, fazem as pessoas se sentirem abandonadas. As nossas escolas ensinam que a capital da Líbia é Beirute, mas não educam as crianças para envelhecer e a respeitar as pessoas idosas, finaliza.
A psicóloga Maria Elena Carvalho, 44 anos, procurou a orientação de um médico geriatra no ano passado. Ela conta que não sentiu a virada dos 40, mas quer conservar sua saúde e disposição por muito tempo. Li muito e achei que o melhor seria procurar um geriatra para uma análise do meu organismo e acompanhamento preventivo, afirma. Diz que não gosta muito da idéia de envelhecer e, por isso, está apostando na prevenção.


