Cuidados evitam gasolina adulterada
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Milton DóriaAlertaO revendedor Tomasetti: combustível ruim pode desregular motorO consumidor tem mecanismos para se defender contra a possível adulteração na gasolina. Basta prestar atenção nas condições dos postos de combustíveis e, na dúvida, exigir que os operadores do serviço realizem um teste que aponte a qualidade do produto. O alerta é do Departamento Nacional de Combustível (DNC). O chefe do Serviço de Fiscalização do DNC em Curitiba, Paulo Roberto Tourinho Ferreira, diz que, antes de escolher um posto, as pessoas devem observar as condições de conservação do local, conferir se há cartazes visíveis onde constam o telefone do DNC e o preço do combustível.
Ele afirma que, caso o dono ou funcionário de um posto se recuse a fazer o teste da qualidade, o consumidor pode denunciar o estabelecimento ao DNC pelo fone (0800) 41-1171 ou ir ao Procon mais próximo. Paulo Roberto Ferreira lembra também que todos os postos têm obrigação de testar a qualidade do produto trazido pelos caminhões das distribuidoras, antes de armazená-lo nos tanques.
O DNC de Curitiba recebe cerca de 20 reclamações mensais contra postos de combustíveis. Todas são verificadas, garante Paulo Roberto Ferreira, mas normalmente apenas uma acaba sendo comprovada. Quando é verificado algum tipo de contaminação, o posto é interditado e o combustível é retirado para ser processado novamente, explica. A gasolina comum que se vende nos postos tem 22% de álcool anidro e há uma tolerância de mais ou menos 1% do produto.
Paulo Roberto Ferreira diz que não é comum no Paraná a venda de gasolina adulterada. Há poucos dias os fiscais do DNC estiveram em Londrina verificando o combustível vendido nos postos e não foi constatado nenhuma irregularidade. As visitas do DNC acontecem de surpresa. A prioridade é dada aos postos denunciados; depois, aos casos onde há processos judiciais instaurados; e, em terceiro lugar, são vistoriados os postos próximos ao denunciado.
Na opinião do chefe do Serviço de Fiscalização do DNC/PR, os consumidores não precisam ficar preocupados em abastecer nos postos de combustíveis que oferecem preço mais baixo e prazo para pagamento. Segundo ele, não há indicações comprovando que estes estabelecimentos estejam adulterando o produto. Para Paulo Roberto Ferreira, as pessoas devem estar atentas às condições de manutenção do posto, principalmente pela questão da segurança.
Laérzio Lopes Scandelari, operador de um posto de gasolina da avenida Duque de Caxias (centro), não concorda com afirmação de Ferreira. Na opinião dele, as pessoas devem ficar atentas aos estabelecimentos que oferecem preço baixo e prazo longo para pagamento. Ninguém consegue fazer milagre, afirma Scanderlari. Para ele, preço baixo pode ser indício de sonegação de impostos ou adulteração no combustível. O consumidor deve ficar atento.
Eduardo Tomasetti, membro do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Paraná, acredita que a adulteração de combustível não seja um problema comum em Londrina. A Cidade é muito bem servida em termos de qualidade, assegura. Temos muitas usinas de álcool na região, a refinadora de Araucária e o Pool de Combustíveis.
Para Tomasetti, o problema são as distribuidoras clandestinas, que oferecem o produto sem nota fiscal e normas de segurança. Ele acredita que 18 distribuidoras estejam operando oficialmente na Cidade - as quatro grandes companhias e mais 14 pequenas, legalizadas pelo DNC. As restantes são clandestinas.
Não há uma maneira de saber quem adultera, diz Tomasetti. A saída é conferir a qualidade do produto através do teste ou verificar o densímetro, um aparelho instalado nas bombas de combustível e que mostra se o produto está de acordo com as normas do DNC. Tomasetti lembra que o combustível adulterado pode desregular o motor do carro e até aumentar o consumo.


