Cuidados com penicilina
divide especialistas
Jenifer Stefani dos Santos, 8 anos, morreu dia 30 de agosto. Segundo a mãe, Maria de Fátima dos Santos, às 20 horas do dia anterior ela levou a filha ao PAI por causa de uma crise de amidalite. A menina foi medicada com uma injeção de Benzil Penicilina, cujo princípio ativo é a Penicilina G. Benzatina, e liberada. Pouco depois, Jenifer passou mal e, de madrugada, a família resolveu levá-la novamente ao PAI. A menina morreu no caminho.
Maria de Fátima declarou que chegou a avisar uma das enfermeiras que Jenifer, depois de tomar a injeção, não estava passando bem. A enfermeira teria apenas tirado a pressão do pulso e liberado a menina 15 minutos depois da aplicação. Já as enfermeiras que atenderam a menina informaram que a espera foi de meia-hora e que a menina saiu bem do hospital.
Em entrevista à Folha, em agosto, a diretora do Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina e professora da Universidade Estadual de Londrina, Margarida de Fátima Fernandes de Carvalho, disse que o medicamento é seguro e que choque anafilático (reação corporal de hipersensibilidade a uma substância) ocorre numa proporção de um para um milhão.
Margarida de Carvalho, que será ouvida segunda-feira pela polícia, explicou que existe uma norma do Ministério da Saúde não recomendando o teste de alergia à penicilina como vinha sendo feito habitualmente. O motivo é que o teste é ineficaz e resulta em alto índice de reação falso-positiva.
A farmacêutica Tânia Maria Bozelli Balbinotti, membro do Conselho de Farmácia do Paraná, no entanto, disse à Folha esta semana que a penicilina precisa ser administrada com atenção. Ela aconselhou, antes de aplicar o medicamento, tomar diversos cuidados, como conhecer o histórico do paciente, para saber se ele é alérgico a algum tipo de medicamento, e um teste via oral, no qual a pessoa toma um comprimido de penicilina antes de tomar a injeção.
Se a pessoa apresentar uma reação ao comprimido, disse a profissional, é só fazer uma lavagem gástrica, evitando assim que o paciente tome a injeção que tem reações muito mais graves e que podem levar à morte. Balbinotti informou ainda que em São Paulo uma lei proíbe que sejam aplicadas injeções com princípio ativo de Penicilina G. Benzatina em locais que não tenham funcionários capacitados e equipamentos de ressuscitamento. Postos de saúde, por exemplo, não podem aplicar a injeção. (L.H.)

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