Cuidados com o coração das crianças
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sexta-feira, 12 de junho de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina Ontem, Londrina teve um dia todo dedicado ao coração. Além das celebrações religiosas da programação do feriado do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro da cidade, também foi realizado um evento para lembrar o Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita. A "Festa do Coração", organizada pela Associação de Assistência à Criança Cardiopata (AACC) Pequenos Corações, reuniu centenas de famílias pela manhã no Lago Igapó 2. O objetivo foi alertar sobre a importância do diagnóstico precoce da doença.
A maioria dos participantes da 5ª edição do evento em Londrina vestia roupas vermelhas, "a cor do amor", segundo os organizadores. Enquanto as crianças se divertiam nos brinquedos, os adultos recebiam materiais informativos e orientações. Os visitantes também puderam conferir uma demonstração do Teste do Coraçãozinho (Oximetria de Pulso) e doar sangue na coleta do Hemocentro do Hospital Universitário.
Segundo a AACC, a cardiopatia congênita é qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge nas primeiras oito semanas de gestação, quando se forma o coração do bebê. Ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca, mesmo que descoberto no nascimento ou anos mais tarde. É considerada o defeito congênito mais comum e uma das principais causas de mortes relacionadas a malformações congênitas.
O evento reuniu várias crianças diagnosticadas com a doença e que foram submetidas a cirurgias cardiovasculares. As estripulias dos meninos no pula-pula, piscina de bolinhas, parede de escalada e tobogã em nada faziam lembrar o quadro grave dos primeiros anos de vida. A dona de casa Aline Fernanda Passucci, de 31 anos, ainda se emociona quando lembra de quando recebeu o diagnóstico da filha Amanda, hoje com 5 anos. "Não tinha informação, não sabia nem o que pensar. Foi uma luta difícil, mas graças a Deus tudo deu certo e hoje ela está aqui comigo", comemorou.
Amanda passou pela primeira cirurgia de emergência aos 15 dias de vida. Depois um ano e meio, voltou ao centro cirúrgico para fazer a correção total. Hoje, apesar de pequenas restrições, a garota leva uma vida normal.
A dentista Ione Fernandes, de 32 anos, é outra mãe que descobriu a cardiopatia congênita no filho durante a gravidez. Vítor, que está com 3 anos, já passou por duas cirurgias e tem mais uma agendada. "Ver todas essas crianças aqui brincando é muito especial. A troca de experiências entre os pais também é muito válida", ressaltou.
Em cada sorriso das crianças, uma história de luta parecida. Assim foi com a empresária Paula Vedove, de 38, com a filha Mariana, de 8; e com a dona de casa Vanessa Giroldo, de 29, e o pequeno Vinícius, de 4 anos. Em todas as histórias, um nome em comum: a da cardiopediatra Márcia Thomson. O sentimento de gratidão se destaca nas falas das mães. A médica não esconde a emoção ao ver todas as crianças reunidas. "O reencontro é emocionante. Não tem preço ver que elas estão crescendo saudáveis", comentou. Márcia destacou que em Londrina não há distinção entre rede pública ou particular no acesso aos exames. "Nesse ponto, nossa cidade está um passo à frente da média nacional."
De acordo com a AACC, um em cada 100 nascidos vivos é cardiopata. "Quando a descoberta é feita ainda durante a gestação, as chances de sucesso no tratamento aumentam e alguns procedimentos são feitos com o bebê ainda no útero materno. Mas sem o diagnóstico precoce e correto, muitos desses bebês correm risco de morte. A informação precisa sobre a cardiopatia congênita e a parceria com os profissionais de saúde têm sido essenciais para fazer diferença a esses pequenos corações", defendeu Larissa Mendes, diretora nacional da Pequenos Corações e responsável pelo núcleo em Londrina.


