Cuidados com cães agressivos nas ruas
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Em Londrina são muitos os cachorros que vivem nas ruas, o que aumenta o risco de ataques. Recentemente, a FOLHA recebeu a ligação de uma leitora que foi acuada por cachorros na Rua São Salvador (Área Central). Ela disse que levou uma mordida no tornozelo e precisou tomar vacina antirrábica.
De acordo com a médica veterinária e adestradora de Londrina, Helma Sodré, o primeiro passo para reduzir o risco a que os pedestres estão expostos é diminuir a quantidade de animais soltos. ''Esta situação ainda provoca acidentes de trânsito e aumenta o risco de transmissão de zoonoses. Um projeto de castração de animais é fundamental'', alertou.
Segundo Helma, os cachorros de rua podem atacar pedestres por vários motivos. ''Pode ser que estejam com fome, que tenha alguma cadela no cio nas proximidades e que ele esteja com medo da pessoa. A agressividade pode estar relacionada ao medo'', alertou.
Diante de um animal agressivo na rua, a adestradora explicou que o ideal é não revidar. ''A pessoa deve parar de caminhar, não levantar os braços e nem gritar. Se o pedestre não demonstra agressividade, ele geralmente para de latir e se afasta'', afirmou Helma, acrescentando que o segredo para evitar um ataque é manter a calma. ''Se a pessoa chutar ou pegar um pedaço de pau o cachorro vai revidar. Muitas vezes ele ataca tentando se proteger''.
Bombeiros
A Central de Operações do Corpo de Bombeiros recebe com frequência ligações de pessoas solicitando ajuda para conter animais agressivos nas ruas. A informação foi repassada pelo aspirante Rodrigo Manoel dos Santos. De acordo com ele, se é possível identificar o proprietário, uma equipe é deslocada até o local. Caso contrário, nada pode ser feito pela corporação. ''Não podemos recolher esses animais porque não temos para onde levá-los. Não há como trazer cachorros agressivos para o quartel'', argumentou.
De acordo com o aspirante, o ideal seria encaminhar os animais agressivos que estão soltos nas ruas para um Centro de Zoonoses, mas como o serviço não existe no município, as pessoas não têm para quem reclamar quando acontece uma situação de ataque. ''Se alguém se responsabiliza pelo cachorro, vamos até o local e prendemos o animal em algum lugar. Infelizmente, não há estrutura adequada para atender estas ocorrências''.
O aspirante orientou que as pessoas evitem passar próximo, mexer com animais de rua e tratá-los de forma violenta. ''Nossa missão seria atender a vítima no caso de um ataque. Os ferimentos provocados por cachorros de rua não são muito frequentes, a maioria dos nossos atendimentos refere-se a pessoas machucadas por animais da própria família'', destacou.
Coleira e guia
A veterinária disse que mais comum do que ataques a pessoas são as demonstrações de agressividade de cães abandonados contra outros animais, inclusive aqueles que estiverem passeando com guia. ''Eu estava em uma praça adestrando uma cadela de porte grande que usava guia e enforcador quando dois cães se aproximaram para atacá-la. Precisei pedir ajuda para evitar que a cadela fosse machucada'', contou a veterinária.
Para Helma, a situação fica mais complicada quando os cães possuem donos que se negam a usar coleira e guia. ''Sair de casa com o cachorro sem guia é falta de responsabilidade. Além dos riscos para o próprio animal, que pode ser atropelado, traz riscos para outras pessoas e animais'', alertou.


