Cuidados com a alimentação
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sexta-feira, 18 de junho de 2010
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pinhão, quentão, milho verde, pamonha, canjica, paçoca, pé de moleque....não há quem resista ao cardápio típico das festas juninas, que acontecem em vários locais, como escolas, igrejas, academias, parques e praças públicas. A informalidade com que muitas festas são organizadas requer cuidado para saber como esses alimentos são preparados e manipulados e evitar, assim, um problema mais sério de sa©úde.
O alerta é feito pelo médico Mauro Scharf, endocrinologista do Frischmann Aisengart/DASA, que afirma que nesta época do ano são comuns casos de infecções intestinais ou intoxicações provocadas por bactérias que proliferam nos alimentos. ''A grande preocupação é com relação à contaminação dos alimentos'', diz ele, que recomenda que as pessoas observem as condições de higiene e limpeza do local, a vestimenta dos vendedores, o acondicionamento, conservação e prazo de validade dos alimentos.
''Se o ambiente estiver desorganizado, sujo, já se deve colocar um pé atrás na hora de consumir'', avisa Ana Valéria Carli, chefe de Vigilância Sanitária de Alimentos da Prefeitura de Curitiba. O ideal, para ela, é que os funcionários estejam uniformizados e que o vendedor que manipula os alimentos nunca mexa com o dinheiro, sob pena de causar contaminação cruzada dos produtos. Caso seja inevitável, deverá obrigatoriamente lavar as mãos.
Segundo Luana de Assis, consultora do Programa Alimento Seguro (PAS) do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o uso de luvas pelo vendedor também não garante a segurança dos alimentos. ''Pode parecer bom aos olhos do consumidor, mas não adianta nada se ele usar a luva para pegar o alimento, abrir a geladeira, abrir potes'', afirma.
Entre as funções do PAS, está a capacitação de funcionários e empreendedores de estabelecimentos na área de alimentos sobre as boas práticas de higiene e manipulação.
Critérios
Sobre os produtos específicos de festas juninas, a consultora do PAS explica que alimentos secos, como pé de moleque, doce de abóbora, paçoca têm pouco risco de proliferação de bactérias, mas não devem ficar expostos abertamente. A recomendação é que estejam sempre protegidos, seja com filme plástico, dentro de balcões ou potes fechados. Alimentos prontos devem ser de fornecedores conhecidos e o devido registro junto ao Ministério da Saúde.
Já alimentos como canjica, curau, pamonha levam mais proteína e oferecem mais condições para as bactérias se proliferarem. Por isso, devem ser mantidos a 60º C e no máximo por seis horas. ''O alimento pode ser feito de um dia para o outro, mas é preciso ter critérios'', explica. Por isso, é bom verificar, por exemplo, se o estoque do é proporcional à demanda. Caso contrário, o ideal é que o alimento seja feito só na hora do consumo.
Espetinhos também devem ficar sob refrigeração, em caixas térmicas até o momento de ir para a grelha.''Às vezes os produtos ficam horas e horas expostos até serem consumidos. A sorte é que é essas festas acontecem no inverno, porque se fossem no verão teria muito mais riscos'', diz Scharf.


