A pedagoga Marisa Suzi do Nascimento é cuidadora em dupla jornada. Mãe de Ligia, 6 anos, Guilherme, 8, e Luiza, 16, ela tem também a responsabilidade pela educação dos alunos das escolas públicas onde trabalha. Mas, mesmo com tantas atribuições, não delega a terceiros os cuidados com os filhos. ''Trabalho de manhã e à tarde e meu marido trabalha à tarde e à noite. Como não tenho empregada todos os dias, as crianças estão sempre com um dos pais.''
O arranjo familiar traz consequências positivas. ''Estamos sempre interferindo no que eles estão fazendo. Quando assistem televisão, por exemplo, não perco a oportunidade de comentar sobre os programas e propagandas. Muitas vezes as crianças pedem determinados produtos já sabendo que não vão ganhar'', revela.
Nas escolas, ela observa que o aprendizado é mais afetado pela falta de conversa em casa do que pela frequência às séries de educação infantil, antes do ensino fundamental. ''Quando estão começando a descobrir as coisas, as criança querem falar e muitas vezes não têm quem as ouça. Os pais podem aproveitar assuntos corriqueiros para estimular a reflexão, o pensamento e o aprendizado'', considera.(C.A)

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