Pessoas dedicam sua vida ao outro, proporcionando confiança e conforto, porém, muitas vezes deixam de cuidar de si próprios. Segundo Maria Teresa Alves Pereira, assistente social e coordenadora do projeto de extensão ''Cuidador'', da Universidade Estadual de Londrina (UEL), realizado em parceria com o HU, o Brasil ainda não possui uma política pública voltada para atender às necessidades do cuidador. ''Apesar de existirem algumas iniciativas de orientação nos serviços de saúde, o cuidar tem sido uma aprendizagem solitária'', revela.
Durante quatro anos, assistentes sociais, docentes e estudantes acompanharam a rotina de cerca de 500 cuidadores de pacientes do HU com doenças crônico-degenerativas. ''Desestruturação familiar, problemas financeiros, desgaste emocional, dificuldade de acesso a tratamentos e medicamentos, adaptação às regras do hospital e burocracia do sistema de saúde foram algumas das dificuldades relatadas pelos cuidadores'', cita Maria Tereza.
A pesquisa apontou que o perfil do cuidador no HU é essencialmente feminino - 90% são mulheres, a maioria esposas, filhas ou mães de pacientes, que não trabalham fora e não completaram o ensino fundamental. A faixa etária varia dos 36 aos 60 anos.
''Elas relataram dificuldades para conciliar a rotina doméstica e familiar com a função de cuidadoras. No começo da hospitalização ou quando a permanência é mais breve, há um revezamento entre os familiares no acompanhamento ao enfermo. Porém, à medida que o tratamento se prolonga, a tendência é que apenas uma pessoa assuma a função porque cada um retorna à sua rotina'', afirma.
De acordo com a assistente social, a proposta do projeto para 2010 é sistematizar o acolhimento ao cuidador e orientá-lo no atendimento em domicílio.
O Serviço Social do HU já oferece atendimento às famílias de pacientes, oferecendo informações sobre tratamento e orientando a respeito de direitos e responsabilidades do acompanhante, alterações na família diante do doente. O HU também possui um grupo de cuidadores que se reúne quinzenalmente para desabafar e trocar experiências.
Na avaliação da psicóloga Denise Marques Guimarães Galvão, a família tem papel fundamental no processo de recuperação do parente enfermo e também precisa ser acolhida por uma equipe multiprofissional. ''Muitas vezes, a família está cheia de fantasias, ressentimento, culpa. A escuta terapêutica alivia a angústia, o estresse, melhora o vínculo familiar e permite que todos possam aceitar e colaborar com a situação'', explica. (C.V)

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