Qual pai não se derrete diante do sorriso banguela do filho recém-nascido? Só que os especialistas alertam: desde a mais tenra idade é importante cuidar da saúde bucal dos bebês. Desde que nasceu, Felipe, hoje com quase 4 anos, recebe atendimento preventivo na Bebê Clínica de Londrina. O resultado: até hoje ele teve apenas uma cárie e não apresenta indício de má oclusão.
A mãe de Felipe, a escriturária Érica Yurie Ono da Silveira, repetiu no segundo filho a experiência adquirida anteriormente. ''Quando tive a minha primeira filha, aprendi a higienizar a boca de um bebê, o que é muito útil quando se é mãe de primeira viagem''.
A clínica, ligada à UEL, realiza desde julho uma pesquisa para qualificar as orientações aos pais sobre os cuidados com a dentição dos bebês. ''É importante a coleta de dados para estimularmos a remoção do uso da chupeta e da mamadeira após a fase oral e a mastigação nos bebês'', afirma a professora Marília Franco Punhagui. O estudo quer identificar a incidência de má oclusão em crianças de 3 anos a 3 anos e 11 meses atendidas na instituição.
Esta é a terceira pesquisa sobre má oclusão realizada no município: entre 2004 e 2006 foi feito um levantamento entre crianças de 3 a 5 anos que frequentavam as creches do campus da UEL e do Hospital Universitário (HU). Já em 2008, a pesquisa avaliou crianças de 3 e 4 anos que estudavam na Supercreche.
''No primeiro estudo 56,6% das crianças apresentaram má oclusão e esse índice cresceu para 71,5% na segunda pesquisa'', apontou Marilia, ressaltando que os motivos são diversos. ''Uso de mamadeira, de chupeta, sucção do dedo, lábio ou língua, má alimentação e capacidade individual de ter ou não a arcada modificada podem causar má oclusão'', citou a dentista, alertando ainda sobre a importância de trabalhar a mastigação após os primeiros 6 meses de vida do bebê.
''Comer alimentos pastosos, bem amassados ou picados dificulta a aprendizagem da mastigação, por isso cabe aos pais prepararem a boca da criança desde cedo, pois a partir dos 3 anos a arcada dentária já está pronta para começar a mastigar'', explicou Marilia.
''Mudanças na arcada dentária podem causar desde o deslocamento da língua até problemas na respiração, comprometendo a funcionalidade de todo o sistema'', reforçou a professora, destacando que uma das metas da pesquisa é estimular a maturidade entre as crianças: ''Informando os pais, convidamos a criança a crescer por meio da mastigação''.

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