Quase todo mundo um dia teve ou terá um cachorro que, apesar de não se chamar Baleia, será como a cadela do romance ''Vidas Secas'', de Graciliano Ramos, que parecia responder com o rabo, com a língua e movimentos fáceis de entender pelo dono.
Não é à toa que muita gente exagera ao dizer que tal cachorrinho só falta falar.
Ninguém pode negar que animais estimação nos dão muitas alegrias. Porém, atrás de uma carinha de pidão estão alguns cuidados que devemos ter para não transformar o nosso ''lar, doce lar'' num pandemônio.
Como afirma a veterinária Maria Thiemi, ''na hora de comprar um filhote você pode estar levando para casa um problema''. A primeira coisa que precisamos lembrar é a escolha da raça e o tipo de animal de estimação compatível com o nosso estilo de vida.
Aí vale lembrar que bicho doméstico que cabe numa casa, com um amplo quintal, pode virar um elefante numa quitinete. Por isso é preciso lembrar que é praticamente impossível dividir o espaço de um apartamento minúsculo com um cachorro de grande porte, que late a noite inteira e incomoda a vizinhança. Ou ele ou vocês dois acabarão na rua.
Lembre-se: ao invés de um companheiro, você pode estar levando um problema para casa.
Antes de ir a um pet shop para comprar um filhote de cachorro ou gato, consulte primeiro um veterinário. Maria Thiemi observa que há casos em que o sonho de ter um animal em casa se torna uma decepção ao constatar que o bicho está doente.
Ela explica que as viroses têm períodos de incubação que variam de dias a algumas semanas e que, a maioria dos contratos fornecidos pelas lojas de animais estipulam um prazo de 10 dias de garantia.
''Grande parte das pessoas desconhece que, legalmente, esse prazo é de até 90 dias. Se constatar que o animal está doente, procure o lugar onde comprou. A maioria possui veterinário próprio que fará esse primeiro atendimento. Na dúvida, procure um veterinário particular, pegue recibo e tente receber de quem vendeu o animal'', esclarece a dúvida a veterinária.
Fique de olho também no lugar onde os animais estão sendo vendidos. Verifique se o ambiente é limpo ou se existem muitos animais no mesmo espaço, o que facilita contaminações.
''O ideal é procurar o criador porque o risco de contaminação é menor. Normalmente, a mãe dos filhotes já desenvolveu anticorpos. Evite comprar bichos em feiras, já que esses animais têm procedência diferente'', afirma a veterinária.
Os cães são os melhores amigos de crianças, mas prefira animais com boa estrutura óssea - já que é difícil aguentar o pique da gurizada.
Uma dica é o Teckel, aquele cãozinho com jeito de salsicha, famoso em comerciais de televisão. Podemos citar também uma lista de cães, que podem ser criados em apartamento sem problema, como o Poodle, Shih tzu, Yorkshire e Lhasa apso. Mas evite que um Cooker suba o elevador do seu condomínio. O bicho é capaz de virar um Demônio da Tasmânia dentro do ''Ap''.
''Esse animal precisa de muito espaço para baixar a ansiedade. Para apartamentos dê preferência aos animais de pêlos longos, com exceção do Cooker'', explica Maria.
Ainda no pet shop, olhando para os olhinhos pedindo ''me leva para a sua casa'', observe se esses olhos são vivos e se o animal é brincalhão. Afinal de contas, todo filhote é uma criança que, além de dormir, comer e fazer xixi, gosta de brincar.
Outra coisa importante é verificar se o filhote está desmamado e se recebeu a primeira dose de vermífugo.

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