Cuidado individual não é suficiente
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A aposentada Dirce Tagliari e a artesã Roselene Neves são moradoras do Jardim Aragarça (Zona Leste de Londrina) e, temerosas pela ameaça da dengue, mantêm a casa e o quintal livres de água parada. Tanto cuidado, entretanto, não foi suficiente para afastar as famílias dos riscos de contaminação pela doença. Ontem, na rua onde moram, equipes da Vigilância Epidemiológica faziam o chamado ''bloqueio'' para evitar a proliferação do mosquito transmissor Aedes aegpti. No bairro, há uma pessoa suspeita de ter sido contaminada. Neste ano, em Londrina, foram registrados 44 casos e na quarta-feira a Secretaria de Saúde anunciou a promeira morte por dengue hemorrágica.
De acordo com Elson Belisari, coordenador do setor de endemias da Vigilância Epidemiológica, para prevenir a contaminação, é preciso que todos os moradores adotem as medidas recomendadas pela vigilância para eliminar os focos do inseto transmissor. ''O mosquito voa até 200 metros e, se houver vento, vai muito mais longe. O risco continua quando apenas poucas famílias são cuidadosas'', afirmou.
Dirce nunca deixa água parada e, apesar de ter muitos vasos de plantas, não usa pratinhos e fura os suportes dos arranjos suspensos. ''Estou sempre de olho para ver se tem recipientes jogados. Depois de cada chuva, dou uma vistoriada no quintal para ver se não há água parada. É questão de prestar atenção, não dá o menor trabalho'', avaliou.
A bacia de água deixada no jardim para uso da tartaruga da família é constantemente limpa. ''Troco a água várias vezes por dia'', ensinou. No balde deixado para recolher água de chuva que seria utilizada para lavar o quintal, Dirce colocou água sanitária. ''Todo mundo sabe que a dengue é perigosa. As pessoas não cuidam por puro relaxo.''
Apontada pelos agentes da vigilância que trabalham no bairro como ''moradora modelo'', Roselene acredita que a prevenção da doença é muito simples. ''O cuidado é diário. Evitar água parada virou um hábito, como tomar banho ou escovar os dentes'', exemplificou.
No quintal impecável, não há baldes, bacias ou qualquer tipo de recipientes. As sacolas de materiais recicláveis que serão entregues para a coleta seletiva estão fechadas e acomodadas em local coberto, evitando o risco de água parada nas dobras do plástico. ''Depois das chuvas, faço uma vistoria para ver se não há sacolas espalhadas ou qualquer coisa que ofereça risco. Recolho o meu lixo e o dos outros'', contou.
Roselene concorda com a vizinha Dirce quando afirma que a proliferação da dengue deve-se principalmente à falta de cuidado. ''Todo dia o assunto é comentado da televisão e nos jornais. Só não previne a dengue quem não quer.''


