Férias, calor e chuva. Essa combinação pode fazer com que o Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes Aegypti (Lira), que deve ser feito na próxima semana, seja maior que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - de 1%. O último valor, divulgado em dezembro, foi exatamente o recomendado pela OMS. Em agosto, o Lira tinha sido de 0,6.
O coordenador de Endemias da Secretaria de Saúde, Élcio Belisário, afirmou que já se espera que nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro o índice seja um pouco maior, já que muitas pessoas viajam e, com as residências fechadas, o mosquito pode se proliferar. ''Temos muita chuva e calor. Se a pessoa viaja poucos dias, não é tão problemático, se esse período for superior a uma semana, já é perigoso, por isso alguém deve ficar responsável por ir na residência verificar o quintal'', explica.
A recomendação para quem vai viajar é a mesma para todos os dias do ano: não deixar nada que possa acumular água a céu aberto. ''Coloque água sanitária nos ralos e, se possível, mantenha-os fechados. Os vasos sanitários também devem ser mantidos tampados. Plantas aquáticas devem ser colocadas em vasos com areia e o pote de água dos animais deve ser lavado com bucha, não apenas ser trocada a água, já que o mosquito deposita os ovos na parede dos recipientes'', explica o coordenador. Ao retornar de viagem, todo o quintal deve ser revisado.
Bolsa Família
Uma medida que está sendo estudada é a suspensão do benefício do Bolsa Família para quem não cuidar do seu quintal. ''Essa é uma proposta ainda, que surgiu durante uma reunião com os supervisores. Levaremos essa questão para ser discutida pelo Comitê contra a Dengue e vamos analisar se há respaldo jurídico. Muitas dessas pessoas trabalham com reciclagem e, mesmo sendo material em pequena quantidade, são focos da dengue. Como elas não têm condições de pagar a multa, seria uma forma de penalizá-los e assim garantir que ajudem no combate à dengue'', explica Belisário.
Segundo o coordenador, no ano passado foram confirmados 89 casos, contra 7.412 em 2011. Para tentar manter o índice dentro do limite, o setor de Endemias tem atuado em todas as regiões, de forma periódica. ''Temos mantido o trabalho regular, fazendo visitas quinzenais em ferros-velhos e cemitérios, por exemplo. Neste ano também atuamos com mais agentes e com os educadores nos bairros, que nos ajudou bastante a reduzir esse índice.''
Atualmente são 228 agentes em campo e está sendo solicitada a contratação de outros 32, que foram aprovados em concurso público, para atingir o número previsto de 260 agentes.
Cristiane Marinho da Silva Alves é educadora de Endemias nos bairros na zona Leste e tem sob sua orientação 13.439 imóveis, que ficam na região das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos jardins Lindóia, Marabá, Ideal e Mister Thomas. ''Não fazemos vistoria nas casas, nosso trabalho é mudar o comportamento da população, através de palestras em escolas, UBSs, empresas. Orientamos não somente sobre a dengue mas também sobre febre amarela, caramujo e outras endemias'', explica.
Segundo ela, por ser uma moradora do bairro, a comunidade a vê de outra maneira. O projeto começou em julho do ano passado e deve continuar em 2013.
Visitas
Outro trabalho desenvolvido no ano passado e que gerou bons resultados foram as visitas de final de semana, visando diminuir o índice de imóveis fechados. Como muitas pessoas trabalham durante todo o dia, só é possível fazer a vistorias nos sábados e domingos. Belisário explica que o índice de Londrina passou de 27% para 19%. ''No Rio de Janeiro, por exemplo, esse índice chega a 50%. Por isso vamos continuar com essas visitas nesse ano'', destaca Belisário.

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