Cuidado com o lixo tóxico
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Diogo Cavazotti<Br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na casa da bancária Marli de Oliveira Freitas, o lixo tóxico tem cuidado especial. As pilhas velhas são levadas para uma loja de revelação fotográfica, que dá o descarte correto ao material. O óleo de cozinha usado é armazenado em potes e entregue para a sobrinha, que fabrica sabão caseiro com o produto. Os vidros dos remédios homeopáticos são levados para a farmácia, onde são higienizados e reaproveitados. Além disso, ela lava o lixo reciclável antes de entregar para o serviço de limpeza pública.
Essa rotina acompanha Marli há algum tempo. Nos últimos anos, ela percebeu que as empresas começaram a ter maior atenção sobre o destino do lixo tóxico, para evitar que água e terra sejam contaminadas. ''Mas não são muitos os lugares que se preocupam com isso'', alerta.
Alguns exemplos de empresas começaram recentemente a surtir efeito. Um caso é a ação desenvolvida com remédios veterinários. Ficou comprovado que jogar remédio no lixo comum pode contribuir para a contaminação da água e do solo. Por isso, algumas farmácias e a coleta do lixo municipal de determinadas cidades resolveram fazer um trabalho específico de coleta do material. O que muita gente não sabe é que o medicamento animal também oferece riscos à população.
Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), entre 25% e 30% do lixo gerado em clínicas e hospitais veterinários têm destinação final segura. Para tentar aumentar o índice de devoluções, um projeto vem sendo realizado, fruto de parceria da empresa Merial Saúde Animal com clínicas e hospitais veterinários do Paraná. A ação incentiva que os consumidores e parceiros devolvam as embalagens e restos de medicamentos, que são incinerados. A cada quatro devoluções, o cliente ganha um produto novo.
Alguns dos medicamentos que devem ter atenção na hora do descarte são as pipetas de antiparasitários e as seringas para vermifugação, segundo a nova política nacional de resíduos sólidos, aprovada pelo Congresso Nacional em agosto deste ano. A ação da Merial conta com o apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR) e da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa-PR).
''Desde o início do projeto, cerca de 10% dos clientes retornaram os produtos que sobraram ou as embalagens consumidas. Este é um bom número inicial'', diz o diretor de pequenos animais da empresa, Luiz Luccas. Um projeto teste foi realizado no interior de São Paulo, quando cerca de 85% das embalagens comercializadas eram devolvidas.


