O telefone toca e do outro lado da linha uma pessoa dizendo-se funcionária de um cartório de protestos de títulos passa a fazer ameaças para que uma dívida que nunca foi feita seja paga o mais rapidamente possível. Para efetuar o pagamento, o ''devedor'' é orientado a telefonar para uma suposta empresa de cobrança. É assim que age uma quadrilha de estelionatários que, recentemente, tentou fazer pelo menos duas vítimas em Londrina.
Na última segunda-feira, um médico que pediu para não ser identificado recebeu uma ligação telefônica de uma pessoa que dizia trabalhar no 1º Tabelião de Protestos de Títulos de São Paulo. ''Interrompi meu trabalho, atendi a ligação e a pessoa me disse que havia cinco títulos em meu nome, de 2007, que iriam ser protestados se eu não regularizasse a situação imediatamente'', detalhou. Para fazer a regularização, a pessoa passou um número de telefone celular de uma suposta empresa de cobrança em São Paulo. ''Disseram que o escritório tinha adquirido os títulos vencidos e que iriam ser protestados se eu não pagasse até meio-dia'', completou o médico.
Imediatamente, ele procurou orientação do advogado José Guilherme Ribeiro Aldinucci, que já havia sido procurado por uma outra cliente, pelo mesmo motivo, há cerca de dois meses. O advogado pesquisou o verdadeiro número telefônico do cartório de São Paulo e assim que a consulta foi feita, uma funcionária avisou que tudo não passava de um golpe. A FOLHA ligou ontem para o cartório e confirmou com uma atendente que uma quadrilha de golpistas estava usando o nome do tabelião para enganar pessoas em diversos estados, incluindo o Paraná.
Aldinucci esclareceu que cobranças de títulos devem ser feitas exclusivamente por meio de documentos timbrados enviados pelos Correios e que especificam quais dívidas estão sendo protestadas e qual o credor, entre outros dados. Mesmo assim, o advogado aconselhou que a pessoa deve pesquisar (pelo auxílio à lista ou via internet) o telefone correto do cartório indicado na correspondência. Se for verificada qualquer situação anormal, a pessoa deve procurar a Polícia e formalizar uma queixa.

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