Cuidado com o aparelho de aferir pressão
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
As palavras do cardiologista Evander Botura revelam que a aferição da pressão arterial é coisa séria. O hipertenso pode sofrer graves consequências se não tiver o diagnóstico e o correto tratamento da doença. ''Atualmente, 25% da população adulta mundial é hipertensa. A pressão alta afeta, principalmente, cinco partes importantes do corpo humano: cérebro, coração, olhos, rins e as artérias das pernas. A principal causa dos derrames hemorrágicos, que é o que mais mata no Brasil, é a hipertensão arterial'', enfatiza o médico.
Porém, nem sempre o que diz aquele aparelhinho que infla no braço do paciente, o esfigmomanômetro, é confiável. Com um livro do americano Norman Kaplan na mão, Botura mostra os resultados de uma pesquisa feita em hospitais e consultórios médicos de São Paulo. O resultado é alarmante: 50% dos aparelhos aneróides, que são os mais comuns, e 21% dos que utilizam barra de mercúrio, mais encontrados em hospitais, estavam descalibrados.
Em Londrina, não há estatísticas, mas os dados levantadas pela FOLHA apontam que muita gente pode estar sendo enganada no momento de aferir a pressão arterial. Na última semana, dois jornalistas percorreram farmácias da cidade. Um deles, em menos de 10 minutos e sem fazer esforço físico, viu o resultado de seu teste de pressão variar de 120 por 80 (mm/Hg) - ou 12 por 8 em uma linguagem mais popular - para 160 por 110 (mm/Hg), ou 16 por 11. Também houve variação no caso do segundo jornalista, que passou por três estabelecimentos.
Todo aparelho utilizado para medir pressão arterial, digital, aneróico ou de barra de mercúrio, obrigatoriamente, deve ser aferido pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro). A verificação vale por um ano e é devidamente evidenciada por um selo e por um certificado. O Ipem/Inmetro de Londrina atende ainda a outros 98 municípios, entre eles alguns de médio porte, como Apucarana, Arapongas, Cornélio Procópio e Jacarezinho. Porém, o volume de esfigmomanômetros que chegam para verificação não passa de 60 por mês.
''Percebemos que quando a Vigilância Sanitária aperta a fiscalização aumenta o nosso volume de trabalho. No entanto, pelo número de aparelhos que recebemos regularmente fica evidente que não são todos os estabelecimentos de saúde da região que estão cumprindo a legislação. No caso das farmácias, algumas trabalham corretamente e nos mandam os aparelhos anualmente, outras deixam a desejar'', lamenta Marcelo Trautwein, gerente regional do Ipem/Inmetro.
O instituto certificador conta com um aparelho alemão que verifica todas as partes do esfigmomanômetro e é composto por uma balança de mercúrio para checar a precisão do aparelho. Se for constatado que o calibre não é o ideal, quem encaminhou o equipamento para a análise recebe um laudo apontando onde está a falha e deve procurar um serviço de manutenção. A taxa cobrada pela certificação é de R$ 6,90 por aparelho. Particulares que têm o aparelho em casa também podem e devem procurar a certificação. ''O consumidor deve exigir de quem está aferindo a sua pressão que apresente o selo do Inmetro no aparelho ou o certificado de verificação'', destaca Trautwein.
''É muito importante que a pressão seja aferida de forma exata, pois um falso hipertenso pode até tomar medicamentos e perder dias de serviço equivocadamente. Ressalto também que não basta o aparelho estar calibrado, mas é preciso fazer a verificação de forma correta'', finaliza o cardiologista Botura.


