Dividir despesas de uma casa, um alívio para quem mora sozinho, ainda mais quando o imóvel é alugado e a pessoa pretende fazer algum curso universitário. Em Londrina são muitas as repúblicas, pensionatos e pensões que abrigam trabalhadores e estudantes vindos de outras cidades e algumas vezes não percebem os riscos de dividir a casa com estranhos.
Os amigos Maurício Pedroso Moraes e Josiel dos Santos Lauton sentiram na pele o que a falta de cuidado pode provocar. Eles contam que anunciaram uma vaga na casa deles em um site e não demorou muito para aparecer um interessado.
Pouco mais de uma semana após receberem o estranho em casa a surpresa; enquanto os amigos foram trabalhar, o colega de república deixou a casa de táxi, levando mais de R$ 4 mil entre objetos e dinheiro. ''Ele disse que veio de Cascavel para trabalhar em Londrina e resolvemos que poderia ser uma boa dividir as despesas'', disse Moraes. ''Foi um pouco de inocência nossa não ter checado todas as informações antes de levá-lo para a casa'', completa Lauton.
Chocado com o que aconteceu, Moraes revela que agora não pensa mais em colocar outra pessoa para ''rachar'' as despesas e espera que a experiência sirva de lição para quem pretende morar em uma república. ''Agora não vamos colocar mais ninguém a não ser que seja um amigo da gente. Eu nunca havia morado em república e jamais pensei que algo assim fosse acontecer'', conta o rapaz.
O porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente Ricardo Eguedis, observa que, apesar de Londrina ser uma cidade estudantil e também procurada por muitas em busca de emprego, problemas envolvendo repúblicas não são comuns. ''Não me lembro de um caso assim, mas claramente se trata de um furto qualificado e se o criminoso for pego terá que responder pelo seu ato.'' A pena para o crime é de dentenção de dois a oito anos e uma multa que pode variar de R$ 18,16 a R$ 2.725.
Para evitar problemas, tenente Eguedis aconselha ser fundamental buscar toda e qualquer informação sobre a pessoa, se possível fazer um contrato entre as partes e ter indicações de um terceiro. ''Quem vai ceder sua casa precisa se cercar de todas as informações possíveis sobre esse indivíduo que está entrando em seu ambiente, não só de identidade, mas também comportamentais para evitar qualquer risco.''
O vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SindiHotéis) de Londrina, Alzir Bocchi, diz ser importante tomar medidas preventivas. Como exemplo, ele sugere cadastrar a pessoa, coletando o máximo de dados possíveis, inclusive antecedentes criminais, além de uma testemunha que se responsabilize em caso de algum golpe aplicado pelo novo residente.

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