Casos de meningite são associados, na maioria das vezes, às estações mais frias, nas quais as pessoas permanecem por mais tempo juntas e/ou em ambientes fechados, o que favorece a disseminação da bactéria. No entanto, o infectologista Joaquim Guimarães, de Londrina, alerta que um microorganismo, causador menos comum da doença, tem se espalhado cada vez mais e favorecido o surgimento da meningite nas estações mais quentes do ano: o vírus.
''Por ser um tipo da doença que tem uma evolução, na maioria das vezes, benigna, muitas pessoas tendem a desconsiderar o perigo que ela representa'', afirma o infectologista. ''No entanto, após infectado, mesmo tratando os sintomas, alguns pacientes podem apresentar encefalite e complicações neurológicas, com sequelas para a audição, visão ou mesmo para o aparelho locomotor'', acrescenta.
Segundo o especialista, os casos de meningite viral têm crescido e se espalhado nas estações mais quentes devido à procura maior das pessoas pelas piscinas e praias. ''Elas frequentam mais esses locais e acabam entrando em contato com a água contaminada com os vírus que, comumente, causam os distúrbios intestinais e também a meningite'', afirma Guimarães. ''Por isso, a importância de conhecer bem a higienização realizada no local e a qualidade da água, se for uma piscina, ou procurar por uma praia menos poluída, no caso de viagens realizadas para o Litoral.''
Sintomas
Assim como a meningite bacteriana, a viral atinge a membrana que envolve a médula espinhal e o cérebro, provocando uma inflamação do orgão, segundo o médico. Os principais sintomas da doença são os clássicos da meningite bacteriana, ou seja, febre de início repentino, dor de cabeça persistente, vômitos, sonolência e rigidez de nuca, em que a pessoa não consegue flexioná-la.
''Esses são os sintomas gerais, mas é preciso considerar que em lactentes nem sempre há a presença da rigidez da nuca e aí a mãe precisa estar alerta para a apresentação de febre, de dificuldade do bebê para mamar ou por mostrar-se apático'', define o infectologista, complementando que o período decorrido entre a exposição ao enterovírus e o aparecimento dos sintomas é de 7 a 14 dias.
Como a transmissão dos vírus da meningite viral ocorre geralmente por via fecal-oral, oral-oral e respiratória, Guimarães explica que os cuidados para evitar a transmissão são os mesmo para a prevenção das gripes, ou seja, tomar água de boa qualidade, filtrada ou fervida, lavar sempre as maõs, não utilizar os mesmo utensílios de outra pessoas, higienizar bem os alimentos e a casa e manter o local sempre muito bem arejado.
Vacina
Nos casos de viagens programadas para locais onde está ocorrendo uma prevalência da doença, o infectologista recomenda que toda a família seja vacinada contra a meningite no período de 20 dias antes da viagem, para que o organismo possa produzir anticorpos.
De acordo com o médico, não são utilizados antibióticos para o tratamento da meningite viral. O tratamento é apenas sintomático. Se houver suspeita da doença, o ideal é procurar o mais rápido possível um pronto-socorro, um clínico geral ou um infectologista.

Imagem ilustrativa da imagem Cuidado com a meningite viral