Londrina – Como ter a certeza que o veículo deixado em uma oficina para conserto não está sendo utilizado por um dos funcionários da empresa de forma irregular? Ou qual a garantia de que o carro deixado com as chaves em um estacionamento permanecerá no mesmo local até a chegada do dono? As dúvidas cada vez mais frequentes exigem o dobro da atenção dos consumidores que podem ser lesados das mais diversas formas.
Aparício Tiago Moreira está internado em um hospital de Londrina. Ele completou 80 anos na última semana, sem previsão de alta. Há oito meses, o senhor que possuía vida ativa, frequentava grupos de atividades físicas e fazia caminhadas diárias, foi surpreendido por um carro que o atropelou no Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina. O acidente ocorreu em 17 de julho e só agora a neta da vítima, Maria Lina Moreira, conseguiu reunir as peças de um longo quebra-cabeça para tentar responsabilizar os culpados.
Maria Lina conta que o motorista seria funcionário de uma funilaria que dirigia o carro de um cliente. Ele aguardou a chegada do Siate, mas não registrou o boletim de ocorrência de trânsito. "A sorte foi que o Siate conseguiu apurar o nome do condutor e a placa, senão eu não teria nenhum registro do que aconteceu", lembrou a servidora pública.
Sem saber que o motorista não era proprietário do veículo, Maria Lina localizou o perfil do rapaz em uma rede social e conseguiu telefones para contato.
Enquanto a neta investigava o acidente, o avô seguia com a série de tratamentos na perna direita atingida pelo pneu. Maria Lina decidiu aguardar os tratamentos para só então se preocupar em contratar um advogado. "Meu avô nunca tinha sido internado. De lá pra cá foram mais de seis cirurgias, 60 sessões com aquela técnica hiperbárica e recursos utilizados em todos os hospitais de Londrina. Ele só não passou pelo HU", afirmou. O plano de saúde cobriu as despesas após vários embates. A família estima que os custos tenham ultrapassado R$ 500 mil.
Aparício foi internado mais uma vez no início do mês. Revoltada, Maria Lina ligou para o dono do veículo, que relatou que o carro estava em uma funilaria para conserto. "Só aí eu entendi que o motorista era na verdade funcionário da oficina", afirmou.
O empresário foi procurado pela reportagem e ainda tenta entender o que ocorreu. Ele possui os comprovantes com as datas em que o serviço foi executado e garante que o carro estava aos cuidados do estabelecimento.
O advogado contratado pela família da vítima, Jossan Batistute, explicou que pretende mover uma ação cível contra o motorista e contra o dono do carro. "A empresa de funilaria e a seguradora também poderão ser acionadas. Vamos analisar os fatos. Em princípio, houve uma relação de consumo, uma má prestação do serviço que causou dano ao senhor Aparício." O proprietário da funilaria não foi localizado.

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