Talvez você seja hipertenso e ainda não saiba que tem a doença. É isso mesmo, a pressão alta, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge em torno de 600 milhões de pessoas no mundo todo. No Brasil, estimativas indicam que pelo menos 30% da população adulta estejam com a pressão mais alta do que o normal. Quando se consideram apenas pessoas com mais de 60 anos, esse índice salta para 50%.
E o pior disso tudo é que são raros os que sentem algum mal-estar por conta da doença.''O organismo humano acaba se adaptando à hipertensão. A maioria dos hipertensos não sente nada. Estamos falando de uma epidemia que não é causada por nenhum mosquito, água contaminada, vírus ou bactéria, mas que está pegando muita gente'', alerta o cardiologista Antônio Nechar Júnior, de Londrina.
Mas como alguém se torna hipertenso? De acordo com o médico, existe uma série de fatores, porém o mais importante de todos é o genético. Boa parte dos hipertensos já tem a doença programada em seus genes, situação que Nechar Júnior compara a um barril de pólvora prestes a explodir. ''Ele está dentro do organismo, só não sabemos quando uma espoleta vai explodi-lo.'' As espoletas são os outros fatores de risco que vamos encontrando durante a vida: estresse, má alimentação, obesidade, sedentarismo, tabagismo. No entanto, isso não significa que quem não tem a predisposição genética para a doença esteja livre dela. ''Quem não tem o barril de pólvora pode fabricá-lo com os hábitos de vida equivocados'', explica o cardiologista.
Quando o ponteiro daquele aparelho de nome complicado, o esfigmomanômetro, indica que a sua pressão arterial é maior do que 120 por 80 milímetros de Mercúrio, ou 12 por 8, significa que as paredes de suas artérias estão mais rígidas do que deveriam estar, ou seja, estão perdendo a capacidade de dilatar e contrair. Com isso o coração é que acaba sofrendo.
''É como se a bomba de água do jardim estivesse ligada a mangueiras que estão com nós. Um hora ela para de funcionar. Da mesma forma, o coração que bombeia sangue para artérias endurecidas começa a crescer, hipertrofiar'', exemplifica o cardiologista. ''O nosso coração trabalha movido por impulsos elétricos. Quando esse músculo fica grande demais, a parte elétrica não funciona completamente; por isso, coração hipertrofiado é sinônimo de risco maior de morte súbita, que aumenta de 30% a 40%'', completa Nechar Júnior.
Contudo, não é só o coração que sofre. Outros órgãos do corpo humano, principalmente rins, cérebro e olhos, apanham pela falta de oxigênio, que começa a chegar de forma insuficiente até eles por causa da dificuldade de o sangue passar pelas artérias endurecidas. Pressão alta é uma das principais causas de insuficiência renal e pode causar também comprometimento da visão.
No cérebro, uma das consequências é a ''demência vascular''. A má circulação sanguínea crônica no órgão, causada pela pressão alta, resulta em micropontos de isquemia da massa cerebral, levando o doente a ter sintomas de esquecimento e lapsos de memória. ''É como se fosse um 'derrame crônico''', ressalta o cardiologista.

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