Cubanos assumem postos em duas semanas
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Foi em um clima de grande expectativa que os sete médicos cubanos chegaram a Londrina para integrar o programa federal Mais Médicos. Eles foram apresentados ontem de manhã, durante o Encontro de Gestão em Redes de Atenção à Saúde de Londrina, no Hotel Sumatra, no centro da cidade.
O grupo formado por seis homens e uma mulher vai atuar a partir do dia 11 de novembro no Programa Saúde da Família (PSF) das Unidades Básicas de Saúde do Distrito de Lerroville e dos bairros Lindoia, Armindo Guazzi e Vila Ricardo (Leste), Maria Cecília e Vivi Xavier (Norte) e Cafezal (Sul).
"Estamos esperando só trabalhar e ajudar o povo de Londrina. Passamos por treinamento de português básico em Guarapari (ES) e também por um treinamento sobre a saúde em geral no Brasil. Cuba é um país muito solidário e que tem médicos em 35 países no mundo. Queremos ajudar a melhorar a saúde no Brasil", comentou o médico José Henrique Batista, de 45 anos. Os outros profissionais que vão atender no município são Juan Carlos Cabrera, de 39 anos, Adalberto George Hernandes, de 37, os irmãos Mariano, de 58, e Tamara Otero Ismael, de 53, Juan Alberto Santiaguez, de 43, e Jordes Fuentes, de 38. Todos são clínicos gerais e já atuaram em outros países como Gana, na África, Venezuela e Nicarágua.
Essa experiência profissional em localidades distantes de Cuba é tida por eles como um ponto favorável para se manter em Londrina, longe da família. "Vamos ser parte de um sistema de saúde do Brasil e não vejo nenhuma dificuldade com isso. Para nós não é um problema não poder estar com a família porque estamos acostumados com isso. A língua também não é um problema. Aos poucos vamos falar um pouco melhor", afirmou Batista.
A expectativa é que o grupo fique na cidade durante três anos e, segundo Batista, não há grandes dificuldades a serem enfrentadas. "Nossa formação é diferente. Nós somos formados em princípios de solidariedade e de amor. Para nós, o povo é muito importante. Acreditamos que as dificuldades são transitórias e confiamos no Brasil. Estamos nos sentindo muito bem", revelou.
Com a chegada dos cubanos, Londrina soma 14 profissionais designados pelo Mais Médicos. Fernando Balbo é brasileiro e veio na primeira fase do programa. Ele, que é de Araçatuba (SP), está há um mês atuando na UBS do Jardim Leonor (zona oeste). "A receptividade da população é um ponto positivo, além do fato de eu perceber que tenho ajudado a desafogar a fila de pacientes, mas é preciso melhorar tanto na questão estrutural quanto na oferta de profissionais, principalmente no que se refere a especialistas", afirmou.
Com esse reforço, o PSF contará com 90 equipes, tanto para consultas médicas nas UBS quanto no atendimento e acompanhamento domiciliar. Por enquanto, os médicos serão acolhidos em uma residência cedida por voluntários. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Francisco Eugênio de Souza, "o repasse do auxílio moradia e alimentação (entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil), que é uma contrapartida do município, só depende de uma regularização da documentação dos médicos e que deve ser resolvida em um prazo de 30 dias", disse.
Souza também comentou sobre a contratação de mais médicos até o final do ano. Segundo ele, 20 profissionais aprovados no concurso realizado em abril, entre clínicos gerais e plantonistas, deverão ser chamados para atuar nas Unidades de Atendimento 18h e 24h.
O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) afirmou que os números da Saúde ainda não são suficientes, mas que a prefeitura tem avançado. "Com a aprovação do orçamento do ano que vem, nossa proposta é que 31% do nosso orçamento municipal seja destinado à saúde, o que hoje é 24,5%, já acima da orientação legal de 15%", destacou.
O evento no qual os médicos cubanos foram apresentados reuniu profissionais e comunidade acadêmica para capacitação sobre o trabalho e atendimento na rede de saúde de Londrina.


