CTR exige mudança de comportamento
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terça-feira, 08 de junho de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A vizinhança da área onde está sendo construída a central de tratamento de resíduos (CTR), na Zona Sul de Londrina, o clima é de desconfiança. O temor é que a obra, prevista para substituir o atual aterro sanitário até setembro, coloque em risco nascentes e contamine a água potável que brota na região. Mas não é só do apoio dos vizinhos que o empreendimento vai precisar. Para funcionar de forma eficiente, será fundamental a contribuição de toda a população, por exemplo, na diminuição da geração de resíduos e na separação do lixo orgânico do descarte possível de ser reciclado.
Nas terras do Distrito de Maravilha (Zona Sul) mais próximas da CTR, a população vive dividida entre o que conhecem como ''aterro sanitário'' e o que os empreendedores garantem ser uma central de tratamento de resíduos.
O tratorista André Aparecido Brito, 23 anos, entende bem é de guiar a máquina por entre as fileiras de trigo, soja e milho, mas quando o assunto é a obra que tomou o lugar da plantação onde trabalhava até alguns meses atrás ele confessa que perde o prumo. ''Estamos acreditando no que falaram, que não vai ter cheiro nem qualquer outro problema, mas a gente sempre fica com um pé atrás'', admitiu o trabalhador.
Cozinheira talentosa, a agricultora Ivone Borges Soares Nascimento, está ganhando um dinheiro servindo almoço para os operários. Mas não está sossegada. ''Meu medo é porque a mina de onde pego água fica mais baixa e penso que pode ser contaminada'', disse.
Vizinho dela e da CTR, o agricultor Juraci de Oliveira, 50, vive há 41 anos da terra que pertencia à família. E também está preocupado com a água: ''meu poço tem nove metros e é a única fonte de água para mim e minha mulher''.
O secretário municipal do Ambiente, Carlos Eduardo Levy, que acompanhou a elaboração do projeto junto com a Companhia Municipal do Ambiente (CMTU), elogiou que o autor, o professor da UEL Francisco Fernandes, ''é um dos melhores profissionais do mercado'' e não há que se temer a contaminação do solo ou da água. ''Tudo está sendo feito de acordo com o projeto'', assegurou.
Conforme o secretário, os pontos que receberão resíduos serão cobertos com duas mantas impermeáveis que evitam infiltrações e vazamentos dos resíduos líquidos gerados.
Ele comentou que a CTR poderá ser a última obra do gênero em Londrina, desde que todos façam sua parte. Levy garantiu a Prefeitura fará o que lhe cabe, principalmente em relação à educação sobre a separação e destinação correta dos resíduos domésticos gerados. Também já está orientando os grandes geradores para montarem planos de gerenciamento do que gerarem.
Pelo lado dos londrinenses, o que se espera é que o resíduo orgânico seja separado dos demais para evitar contaminação. Essa medida evita o uso inadequado da central. ''Londrina é referência em muitos aspectos da destinação dos resíduos gerados, mas ainda há muito o que avançar'', alertou.


