Durante o mês de junho a equipe do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), do Hospital Universitário de Londrina (HU), estará esclarecendo dúvidas e distribuindo material sobre a prevenção e os primeiros socorros em caso de queimaduras. As ações, que são realizadas em vários lugares, como Aeroporto e escolas, fazem parte da Campanha de prevenção, que o CTQ promove anualmente.
Em torno de 70% dos casos atendidos pelo CTQ são por acidentes domésticos. "Os acidentes com líquidos quentes, como água e sopas, aumentam muito nesta época do ano, por causa do inverno e as pessoas não sabem como agir, principalmente quando ocorrem com crianças e idosos", comentou Elza Tokushima Nami, chefe de Enfermagem do CTQ.
A orientação é resfriar a área afetada com água corrente e em temperatura ambiente para parar o processo de queimadura e aliviar a dor. Deixe na água por pelo menos 15 minutos, não passe nenhum tipo de produto como pomadas, creme dental ou outra receita caseira. Em caso de formação de bolhas, o importante é não estourar. Coloque uma gaze e hidrate com soro fisiológico. Isso evitará a infecção da área.
Os professores Breno Neto e Danieli Araújo receberam as orientações dos profissionais do CTQ durante o lançamento da campanha, na semana passada, no Shopping Royal Plaza. "Acho importante essa ação deles, porque às vezes a gente não sabe como agir. Não sabia que tinha que colocar a criança debaixo de água caso ele se queimasse", disse Breno Neto.
Para a secretária Carina Micheli Cézar, a ação é uma "forma de prevenção". Recentemente, ela queimou a mão com óleo ao fritar um ovo. "Na hora coloquei a mão na água e ela (funcionária do CTQ) disse que fiz certo. Mas não sabia que não podia passar nada na bolha que formou."
Como tem dois filhos pequenos, Carina adota algumas precauções para evitar acidentes. Sempre desliga o fogão elétrico, o ferro elétrico fica em local alto e quando cozinha procura deixar as panelas com líquidos nas bocas de fundo do fogão. "Já ouvi casos de crianças que puxaram o cabo da panela e derramaram água quente. Todo o cuidado é pouco com elas", afirmou a secretária.
A preocupação é maior exatamente com as crianças e idosos. Como a pele deles é mais fina, os riscos de infecções e de queimaduras de maior gravidade são maiores. Nos acidentes domésticos, normalmente as queimaduras são de segundo grau superficiais, mas há casos de graus profundos.
A média geral de tempo de internação de um paciente queimado é de 18 dias, grande parte desse período é na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). E o índice de mortalidade é alta. "O que as pessoas precisam ter consciência é que o tratamento de uma queimadura é complexo. Por exemplo, uma criança queimada vai ter dificuldades de desenvolvimento físico por uns dois anos, por causa das sequelas. Em alguns casos, terá que usar malha elástica compressiva, vai precisar de fisioterapia e atendimento psicológico", disse Elza.
A campanha também está alertando para como agir em caso de incêndio. Segundo a chefe de enfermagem, o CTQ recebe casos de inalação de fumaça. "As pessoas costumam, por instinto, correrem para o banheiro para escapar o fogo. Mas a fumaça mata tanto quanto a queimadura." A orientação é sair para um ambiente aberto, longe da fumaça. Caso não seja possível, então colocar um pano ou toalha molhada embaixo da porta para evitar a entrada de fumaça.

Imagem ilustrativa da imagem CTQ faz campanha de prevenção
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