CTQ completa um ano com ocupação máxima
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sábado, 09 de agosto de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Há 17 dias, Talles Nunes, de 6 anos, precisou ser socorrido às pressas por causa de um acidente doméstico. Uma brincadeira com álcool e fogo resultou em queimaduras de segundo grau nas duas pernas. ''Se não existisse o Centro de Queimados (CTQ), o tratamento do meu filho seria muito mais demorado, dolorido e caro, pois teríamos que nos deslocar até Curitiba'', conta a mãe Ana Paula Nunes, de 24 anos, moradora de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina).
O caso de Talles é apenas um dos 1.177 atendimentos realizados pelo Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário, que neste domingo completa um ano de atividades.
''Durante este período, o CTQ respondeu muito bem à demanda da população, que sempre necessitou desse serviço para Londrina e região, antes só existente em Curitiba'', afirma o diretor superintendente do HU, Francisco Eugenio Alves de Souza. De acordo com o médico, o próximo passo é investir em alguns equipamentos cirúrgicos e implantar um banco de pele, a exemplo de Porto Alegre e São Paulo.
O CTQ disponibiliza 10 leitos de enfermaria e seis de UTI, que no momento estão todos preenchidos, contrariando as expectativas iniciais. Mas nesse caso, Souza cita um serviço diferenciado que o hospital vem disponibilizando à população. ''Quando é possível realizar um tratamento sem internação hospitalar, uma equipe de enfermeiros presta serviço na casa dos pacientes até surgir uma vaga'', explica.
Foi o que aconteceu com Clarisse Alves Vieira, de 72 anos. Vítima de um acidente com óleo quente, enquanto cozinhava, Clarisse não conseguiu um internamento de imediato. ''Tive queimaduras profundas de segundo grau e precisava realizar vários curativos. Fui muito bem atendida em casa e há 15 dias fui internada. Se não fosse o CTQ, não sei o que seria dos queimados'', comenta a paciente.
Desde que foi inaugurado, o CTQ já atendeu 850 pacientes ambulatoriais, 327 emergenciais e realizou 1.102 cirurgias, além de promover campanhas de prevenção aos acidentes domésticos, pois eles são a causa de 83% dos casos atendidos, seguidos dos acidentes de trabalho (queimaduras com chama 56%; escaldo 30%; descarga elétrica 7% e outras causas 7%). Outros dados também apontam que as crianças são as grandes vítimas, com 35% do total dos atendimentos.
Para marcar o primeiro ano do Centro, o HU realizou, na tarde de sexta-feira, um evento com apresentações de vídeos e dos artistas do Plantão Sorriso, depoimentos de alguns pacientes e o recebimento da doação de mil livros, revistas e gibis dos alunos da Escola Alfa.


