Londrina - O Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, na área central de Londrina, está completando 35 anos. Inaugurado no dia 11 de março de 1979, ele foi viabilizado mediante recursos federais, pelo Programa Nacional de Centros Sociais Urbanos (PNCSU). Cortado pelos córregos Bom Retiro e Ibiá, o espaço possui campo de futebol, pista de caminhada, quadra poliesportiva, pista profissional de skate e também um palco para apresentações. Lá também ficam a Unidade Básica de Saúde do bairro, a 5ª Companhia Independente da Polícia Militar, um almoxarifado da Secretaria Municipal de Assistência Social e unidades que oferecem atividades de contraturno das escolas municipais e atividades para idosos.
Antes da obra, o local era conhecido por Buracão. Tudo era um imenso brejo, com muitas taboas, onde moradores plantavam arroz, nadavam em pequenas lagoas, buscavam água de minas para beber ou para afazeres domésticos. Para atravessar o córrego, precisavam atravessar pinguelas. Isso só acabou com a drenagem que desviou as nascentes para um canal.
Luiz Carlos Alves, de 67 anos, chegou ao bairro em 1960. E ressalta que foi um dos garotos que ajudou a retirar as taboas para a demarcação do primeiro campo de futebol do bairro, que existe até hoje. Depois da construção do CSU, Alves participou das aulas de judô que eram ministradas no local. "Quando inauguraram aqui, não havia árvores. Agora ficou muito melhor", comparou. Hoje o vale do Bom Retiro se tornou uma das áreas verdes mais frequentadas da cidade.
O auxiliar de manutenção da prefeitura, Samuel Vicente, de 58 anos, contou que jogou bola várias vezes no campo gramado. "Eu aproveitei bastante", frisou. Mal sabia ele que anos depois seria um dos funcionários da prefeitura que trabalha no local. Seu colega, José Carlos Dutra, de 61, foi testemunha das obras de drenagem feitas no vale. "Você não tem ideia da quantidade de tubulações que existe aqui embaixo. Aqui foram enterradas muitas manilhas", apontou.
A enfermeira aposentada Leda Alvim Ângelo, de 78 anos, lembrou que antes da inauguração do CSU as ruas do bairro não eram asfaltadas. "Como eu trabalhava de branco, tinha que levantar a barra da calça e levar um sapato velho para trocar, senão chegava toda suja ao trabalho", destacou. Ela contou que seu marido chegou a plantar arroz na área alagada. E que o filho Wilson foi um dos que desfrutaram da obra assim que foi entregue, já que teve aulas de futebol no complexo esportivo.
Embora hoje a situação esteja tranquila, Wilson afirmou que o bairro já foi muito violento. "Gostava dos bailes de jovens que eram realizados no CSU, mas depois o local passou a ser frequentado pela vagabundagem e acabaram com os bailes", lamentou Wilson, hoje com 48 anos.
Já Valda Tarifa de Castro, de 48, agente comunitária de Saúde na UBS, disse que muitos cursos eram ministrados no centro social, durante a sua adolescência. "Você podia fazer cursos de cabeleireiro, pintura, macramê, manicure e aulas de vários esportes. Eu fazia aulas com uma professora de ginástica rítmica e não queria sair de lá."

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